THE POWER OF THE DOG – 2021

O filme que marca o retorno da cineasta neo-zelandesa Jane Campion para as telas do cinema, The Power of the Dog (que em português leva o título de Ataque dos Cães) é um drama com inspiração de filmes de faroeste e que exala suspense e tensão a todo momento. Ele acabou de vencer o prêmio de melhor direção no Festival de Veneza, que acabou de acontecer. Isso mostra que, depois de doze anos sem um novo filme, a diretora e roteirista do fabuloso O Piano (que levou o Oscar de melhor Roteiro Original no início dos anos 90) está de volta e mais afiada do que nunca. Importante mencionar que nesses últimos anos longe do cinema, Campion não esteve parada, ela inclusive produziu uma das séries mais chocantes e impactantes dos últimos anos, a excelente Top of the Lake.

E seu aguardado retorno é no comando de uma história baseada num romance de 1967 escrito pelo autor estadunidense Thomas Savage, também chamado The Power of the Dog. No filme, estrelado por um eficiente Benedict Cumberbatch, acompanhamos a vida de dois irmãos donos de um rancho no estado do Montana, no interior dos Estados Unidos, em 1925. Phil (Cumberbatch) é comunicativo, forte e arrogante, dominando qualquer discussão e conquistando as pessoas a sua volta, mesmo que seja através do medo. George, o outro irmão, vivido por um sempre sólido Jesse Plemons, é introvertido e atencioso com aqueles que precisam, o oposto do irmão. Mas é quando George decide se casar com a viúva Rose, interpretada por uma fabulosa Kirsten Dunst, que a relação dos irmãos vai estremecer ainda mais e Phil será capaz de qualquer coisa para destruir a paz da cunhada e do seu jovem filho, Peter (vivido por Kodi Smit-McPhee).

Quando soube do lançamento de um novo filme de Jane Campion, minhas expectativas foram para as alturas. Talvez por isso mesmo demorei para me sentir a vontade com o filme. O primeiro ato, mais arrastado, não foi ao encontro do que eu esperava, me deixando confuso e incerto sobre os rumos que a história iria tomar. O segundo ato, no entanto, é bem mais dinâmico, e apesar de deixar as portas abertas para todo tipo de conclusão, foi capaz de me envolver mais e construir uma tensão instigante que tornava cada cena uma revelação. E o terceiro ato, por fim, conclui a história de forma surpreendente e desconcertante ao mesmo tempo, entregando uma conclusão bastante satisfatória, mesmo que o caminho para chegar nela tenha sido um pouco tortuoso.

Nessa história de sobrevivência, todas as personagens se encontram em momentos de ruptura e de incertezas, mesmo que elas não queiram demonstrar. E nesse sentido, além de um ótimo texto, o excelente elenco merece elogios pelo trabalho desenvolvido. Eu gostaria de destacar, sobretudo a estonteante Kirsten Dunst, que mais parece uma força da natureza. Já a vejo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pela performance aterradora em The Power of the Dog. Benedict Cumberbatch é outro que entrega um trabalho forte e diferente da maioria dos papéis que ele já viveu, mesmo que sua voz se torne um pouco cansativa de tão grave que fica ao se esforçar para emular o sotaque do personagem. A sensacional Frances Conroy também está no filme, mas infelizmente é subutilizada num papel mínimo.

Agora, no que diz respeito ao trabalho técnico, The Power of the Dog é hipnotizante. A direção de Campion se apega aos mínimos detalhes e dá inúmeros significados a cada tomada. Ela é, sem dúvidas, auxiliada pela edição e pela fotografia, que também são incríveis. A música é perturbadora e ajuda a construir a atmosfera densa de suspense que a narrativa evoca. E claro, o texto, muito real e direto, ajuda na construção de uma autenticidade histórica. Agora, como citei anteriormente, o filme, complexo e intrincado, faz com que muitas vezes nos perguntemos se as escolhas criativas são as melhores que poderiam ter sido tomadas, e tenho uma leve questão que envolve uma das reviravoltas da história. Não vou entrar em detalhes, porque esse é um ponto decisivo da narrativa, mas não dá para deixar de apontar o aparecimento de um esteriótipo cansativo na construção do protagonista. Ainda assim, essa particularidade não faz com que a experiência seja menos positiva, e não muda o tema principal do filme, de que aqueles que não se adequam às mudanças que chegam com o tempo vão acabar sofrendo as consequências.

Nota 9!

No momento, The Power of the Dog ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil, e deverá estrear na Netflix em novembro.


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