ENEMY – 2013

Antes de se tornar um dos principais diretores de Hollywood atuais e de ser indicado ao Oscar pelo excelente Arrival de 2016, o cineasta canadense Denis Villeneuve já era conhecido por seus projetos ambiciosos e que exploram a complexidade moral e psicológica, como é o caso de Enemy (O Homem Duplicado, no título em português). Nessa incrível adaptação livre do clássico da literatura portuguesa O Homem Duplicado, escrito pelo mestre vencedor do Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, acompanhamos Adam, vivido por um estonteante Jake Gyllenhaal, um professor de história que leva uma vida simples e monótona. No entanto, essa normalidade está prestes a ter fim quando, inesperadamente, Adam encontra um sósia nas ruas se Toronto. Ele se interessa por saber mais sobre esse homem, Anthony (também interpretado por Gyllenhaal), que aos poucos de torna uma obsessão. Adam então passa a mergulhar cada vez mais pela vida privada desse outro homem e acaba se perdendo num caminho sem solta.

O que é melhor que um Jake Gyllenhaal? Simples: dois Jakes Gyllenhaals. Isso porque o ator, que é a força que carrega esse filme, traz uma performance potente e sutil ao mesmo tempo, o que é determinante para que a narrativa atinja seu objetivo. Enemy é um filme confuso que não entrega respostas simples, até porque as respostas não são o foco da história, mas sim a jornada de autodescoberta pela qual precisamos percorrer em momentos de incerteza. Dessa forma, o filme é um grande drama psicológico cheio de suspense que nos faz questionar tudo o que acontece. E como o grande diretor que é, Villeneuve conduz a história com maestria e constrói um ambiente quase que claustrofóbico com cores em tons de sépia que mais parecem uma prisão mental. Nesse sentido, a fotografia do filme, comandada por Nicolas Bolduc, também merece destaque, com tomadas criativas que misturam realidade e imaginação. Por fim, é preciso dar crédito também ao roteirista, o espanhol Javier Gullón, por ter conseguido extrair da obra de José Saramago uma narrativa instigante e intricada, mesmo que com diversas mudanças. Não que O Homem Duplicado não seja um livro fascinante, pelo contrário, mas as adaptações de romances psicológicos correm o risco de simplificar demasiadamente histórias ricas e multifacetadas. Felizmente, esse não foi o caso de Enemy!

Nota 10!

No momento, Enemy está disponível na plataforma de streaming Now ou para aluguel no Looke, Google Play e iTunes (clique em JustWatch para saber mais).


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