ELENA – 2012

Antes de receber uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário pelo excelente Democracia em Vertigem, de 2019, a cineasta brasileira Petra Costa já havia provado para o mundo inteiro que era uma das documentaristas mais inovadoras e promissoras da atualidade. Com o belíssimo e aclamado Elena, de 2012, Petra viaja para o passado de forma bastante intimista ao contar a história de sua irmã mais velha, que dá nome ao filme. O documentário mistura cenas do arquivo da família e outras gravadas atualmente onde Petra tenta buscar pelos rastros da irmã, seguindo o caminho que Elena percorreu anos atrás. Com o sonho de se tornar uma atriz de sucesso, Elena se mudou para Nova York, deixando Petra, de apenas sete anos, e o restante da família para trás. Agora adulta, a irmã mais nova se tornou uma cineasta e vai tentar reencontrar a conexão perdida há muitos anos de forma trágica e repentina.

Elena definitivamente não é como a maioria dos documentários que disponíveis por aí atualmente. Ele mais parece um drama poético e etéreo, um produto de um sonho distante ou uma tentativa de resgatar memórias quase que dissipadas. É um filme bastante pessoal, que mergulha nas emoções da diretora Petra Costa, e da sua família como um todo. E nesse contexto, não há como não sentir pelo menos um pouco da dor e da necessidade dela por respostas, ou pelo calor do contato perdido. Por ser tão delicado e imaterial ao mesmo tempo, é comum estranhar e até mesmo se sentir cansado nas primeiras partes do filme. Uma confusão associada mais ao formato do que ao conteúdo em si vai, com certeza, assustar o espectador mais despreparado.

Essa estranheza, no entanto, logo é substituída por admiração. Aqueles que já assistiram o mais recente e popular Democracia em Vertigem deverão sem dúvidas reconhecer o estilo de Petra, que nos dois casos parte da perspectiva mais íntima e familiar para, em seguida, explorar as consequências sociais. Isso acontece, em menor escala, na parte final de Elena, e deixa um impacto profundo e duradouro naqueles que o assistem. Não é um filme fácil, mesmo, tanto o tema delicado quanto a a abordagem da diretora são difíceis, mas não inacessíveis. Pelo contrário, precisamos até de mais filmes como esse, que abordam temas sensíveis com amor, e que entregam resultados únicos e comoventes.

Nota 9!

No momento, Elena está disponível para streaming na Netflix.


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