LIMBO – 2020

Selecionado para o festival de Cannes de 2020, que infelizmente foi cancelado devido à pandemia de covid-19, Limbo acabou fazendo sua estreia apenas no Festival de Toronto em setembro de 2020, mas entrou nos circuitos comerciais de cinema em julho de 2021. Desde o ano passado, no entanto, o filme vem recebendo ótimas críticas e foi indicado em diversas premiações importantes, como ao BAFTA nas categorias de Melhor Filme Britânico e de Melhor Estreia de um Cineasta Britânico. O filme, que atualmente mantém o mesmo título em português, é dirigido e escrito por Ben Sharrock e conta a história de quatro refugiados do Oriente Médio e da África que buscam asilo na Europa e aguardam numa ilha escocesa isolada de tudo enquanto não recebem a resposta definitiva das autoridades. Essas respostas, no entanto, demoram a chegar, e enquanto isso os imigrantes vivem um verdadeiro estado de limbo, sem saber o que será se seus futuros e incertos se fizeram a escolha certa ao fugir de seus países de origem. Nesse meio tempo acompanhamos suas histórias, com foco em Omar (vivido de forma magistral por Amir El-Masry), um músico sírio que vive em conflito com a escolha que fez ao deixar a família para trás. Além dele, somos apresentados ao adorável Farhad (interpretado por Vikash Bhai), que deixou o Afeganistão em busca de uma nova vida, e aos irmãos Wasef e Abedi (vividos por Ola Orebiyi e Kwabena Ansah), que partiram da África em busca de novas oportunidades, mas que alimentam visões bastante distintas da realidade.

Limbo é um filme duro que mistura drama e comédia para contar uma belíssima e impactante história que comove a qualquer um. É impossível não se envolver com as narrativas criadas para os quatro homens parados no tempo e no espaço enquanto aguardam que forças maiores decidam quais serão suas opções de futuro. Nesse sentido, o filme é muito certeiro e nos faz sentir a sensação de impotência que diversos refugiados sentem ao redor do mundo. A direção cuidadosa e o texto incrivelmente escrito traduzem bem o sentimento de angústia das personagens, mas tudo isso é aliviado pelo humor cáustico e inexpressivo do filme, que nos faz dar boas gargalhadas em meio a todo aquele drama. E as atuações são todas deslumbrantes, principalmente do protagonista Amir El-Masry, que é absolutamente eficaz na sua performance do incerto e traumatizado Omar. Vikash Bhai também merece elogios, porque Farhad, apesar de um personagem mais secundário, é o coração do filme, caminhando uma linha tênue entre a comédia e a tragédia. Limbo é, além de um incrível filme, uma lembrança de que vivemos num mundo imperfeito que é especialista em destruir sonhos, principalmente daqueles que são expulsos de seus lares. Para mim, o efeito do filme foi exacerbado, por ter sido assistido justamente no momento em que imagens de afegãos fugindo do Talibã e haitianos com vidas destruídas em mais um desastre estampam as capas dos jornais.

Nota 10!

No momento, Limbo ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil.


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