LITTLE FISH – 2020

Às vezes alguns filmes mexem conosco de forma inesperada, quase de indescritível. Esse foi o caso de Little Fish (que em português recebe o nome pouco inspirado de Memórias de um Amor), um maravilhoso drama romântico com pitadas de ficção científica dirigido pelo cineasta Chad Hartigan e com roteiro de Mattson Tomlin. E esse roteiro, por sua vez, foi adaptado de um conto da escritora Aja Gabel, que foi publicado em 2011, mas que parece extremamente atual. O conto, assim como o filme, conta a história de um casal vivendo durante uma pandemia global (soa familiar?) que faz com que as pessoas percam suas memórias de várias maneiras. Por vezes, a perda de memória é arrebatadora e acontece de uma só vez, em outros casos, a perda acontece aos poucos, como se as memórias fossem desaparecendo uma a uma. Nesse contexto, o casal Emma (interpretada por uma fabulosa Olivia Cooke) e Jude (vivido por um excelente Jack O’Connell) lutam para manter suas memórias e seu relacionamento intactos enquanto o mundo ao seu redor começa a se despedaçar.

Preciso dizer que Little Fish me fez chorar pelo menos em 5 momentos diferentes com sua história que já começa de forma tocante e continua assim durante as suas mais de uma hora e quarenta minutos de duração. Então, sim, é um filme triste, mas é um filme lindo ao mesmo tempo, e que merece ser apreciado. O tema central do filme, por coincidência, é a vida durante uma pandemia, o que faz com que a gente, vivendo hoje na pandemia do novo coronavírus, se identifique facilmente com essa situação. E é uma coincidência porque o filme começou a ser produzido no começo de 2019, antes da covid-19 se espalhar pelo mundo. No entanto, temos aqui uma pandemia bem diferente, de uma doença que faz com as que as pessoas afetadas percam suas memórias. As consequências, contudo, não são tão diferentes daquelas com as quais estamos bastante acostumados, como o isolamento, às vezes físico, outras vezes emocional. E o foco está justamente nas relações que tentamos manter com aqueles que amamos, mesmo nos momentos mais difíceis de nossas vidas, o que é uma decisão muito acertada do filme, que poderia ir para uma direção muito mais mirabolante.

Com uma direção incrível e um texto excelente, Little Fish consegue nos levar para dentro da vida dos protagonistas com facilidade e nos faz acompanhar as situações que eles vivem como se fôssemos testemunhas. Ou ainda, como se fossem situações que nós mesmos, expectadores, já vivemos, dado o realismo e a autenticidade das cenas. Claro que, nesse caso, os atores envolvidos também merecem parabéns! Raúl Castillo e Soko, como coadjuvantes, fazem um ótimo trabalho, assim como os protagonistas Olivia Cooke e Jack O’Connell, que são praticamente duas forças da natureza em suas performances emocionantes. Além disso tudo, a edição de Little Fish também impressiona ao misturar com cenas do passado e do presente, trabalhando muito bem a ideia de memórias e de como as mantemos. Essa edição lindíssima é complementada por visuais incríveis, um ótimo trabalho de som e uma trilha sonora simples e eficaz que nos envolve e nos faz sentir a mesma sensação de desalento que as personagens estão vivendo. No fim das contas, essa é uma obra que traduz muitos dos nossos medos, principalmente em tempos tão desafiadores como os nossos, e que nos provoca de forma incrivelmente comovente.

Nota 10!

No momento, Little Fish está disponível para de aluguel no Google Play, iTunes e Microsoft.


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