On the Sea é um drama romântico britânico escrito e dirigido por Helen Walsh. Estrelado por Barry Ward, Lorne MacFadyen, Liz White, Henry Lawfull e Celyn Jones, o filme acompanha Jack, um marisqueiro que vive em uma pequena comunidade pesqueira no norte do País de Gales. Casado com Maggie há décadas e preocupado com o desinteresse do filho Tom pelo negócio da família, Jack começa a questionar a vida que construiu quando conhece Daniel, um jovem marinheiro que passa a trabalhar ao seu lado.

Pôster do filme On the Sea, de Helen Walsh

On the Sea é um filme sobre uma saída do armário tardia. Já existem dezenas de produções que trabalham esse tipo de história. Talvez o exemplo mais icônico seja Brokeback Mountain, lançado 21 anos antes da chegada comercial deste filme aos cinemas. Mesmo antes dele, porém, o cinema já apresentava personagens que descobriam ou aceitavam sua homossexualidade mais tarde na vida.

Essa é uma narrativa bastante conhecida por quem acompanha o cinema LGBTQ+, principalmente suas produções mais comerciais. Histórias sobre homens que passaram décadas em relacionamentos heterossexuais costumam encontrar maior aceitação dentro de um universo heteronormativo, talvez porque apresentem a experiência homossexual como uma descoberta gradual e não como parte da identidade dessas pessoas desde o princípio.

Nesse caso, acompanhamos um pai de família que vive no País de Gales e aos poucos percebe que está se apaixonando por um homem que trabalha com ele nos barcos da região. A atração entre Jack e Daniel cria um conflito entre o desejo que o protagonista manteve reprimido e as responsabilidades familiares que definiram toda a sua vida adulta.

O ponto alto do filme certamente é a ambientação. On the Sea é visualmente lindo e enche os olhos com as paisagens impressionantes do norte do País de Gales. O litoral recortado, o mar e as áreas rochosas são registrados com cores marcantes, mas também sóbrias e ligeiramente melancólicas. O clima quase sempre nublado e chuvoso reforça a sensação de isolamento vivida pelos personagens.

É um ambiente que combina perfeitamente com a história que Helen Walsh quer contar. O mar funciona simultaneamente como espaço de trabalho, refúgio e liberdade. Longe da comunidade e dos olhares das outras pessoas, Jack e Daniel encontram a possibilidade de viver uma relação que dificilmente conseguiriam explorar em terra firme. A beleza das paisagens contrasta com a rigidez daquele universo marcado por expectativas familiares e por uma masculinidade bastante tradicional.

Talvez o filme não seja o mais inovador do mundo. Essa história realmente já é muito conhecida e existem outras produções que desenvolvem conflitos semelhantes de maneira mais profunda e surpreendente. Algumas decisões criativas acabam ficando um pouco aquém do esperado para uma obra que chega ao público em 2026, especialmente quando comparadas à evolução recente das narrativas LGBTQ+ no cinema.

Isso não significa que On the Sea não tenha seus méritos. A direção é competente, a fotografia é belíssima e as atuações estão excelentes. Barry Ward se destaca ao construir um protagonista marcado pelo silêncio, pelo cansaço e pela dificuldade de verbalizar aquilo que sente. Lorne MacFadyen também funciona muito bem como seu contraponto, trazendo maior liberdade e espontaneidade para uma relação cercada de tensão.

Mesmo sem renovar completamente esse tipo de história, On the Sea é um drama sensível e visualmente marcante. A força das atuações e das paisagens ajuda a compensar a familiaridade da narrativa, fazendo com que o filme ainda mereça ser visto por quem se interessa por romances LGBTQ+ e histórias sobre descobertas que chegam mais tarde na vida.

Nota: 7.

Até o momento, On the Sea não está disponível legalmente nos serviços de streaming do Brasil.


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