Resident Evil é um filme de terror de 2026 dirigido por Zach Cregger, que também escreveu o roteiro ao lado de Shay Hatten. Baseada na famosa franquia de videogames da Capcom, a produção funciona como um novo começo para sua trajetória no cinema. Austin Abrams protagoniza o filme como Bryan, acompanhado por um elenco que inclui Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser.

Pôster do filme Resident Evil, de 2026

Adaptar Resident Evil para os cinemas se mostrou, ao longo dos anos, uma batalha mais difícil de vencer do que passar pelos inúmeros zumbis dos videogames. Tudo mudou em 2026. Quando soube da entrada de Zach Cregger no projeto, minhas esperanças foram imediatamente reabilitadas. Depois de Barbarian e Weapons, dois dos filmes de terror mais criativos e assustadores dos últimos anos, havia bons motivos para acreditar que o diretor saberia lidar com esse universo muito melhor do que vimos nas adaptações das últimas décadas.

A história acompanha Bryan, um entregador médico que precisa levar uma encomenda importante até um hospital em Raccoon City. O que ele não sabe é que uma epidemia saiu do controle naquela região, colocando não apenas sua vida, mas potencialmente toda a humanidade em perigo. Em vez de recorrer aos personagens mais conhecidos dos jogos, o filme aposta em um protagonista comum, despreparado e extremamente vulnerável.

A decisão de acompanhar praticamente um único personagem durante todo o percurso é um dos maiores acertos da produção. Ela nos coloca em uma posição semelhante à de alguém controlando Bryan em um videogame. O personagem precisa aprender a usar armas, calcular rotas de fuga e descobrir maneiras de se defender das criaturas que aparecem pelo caminho. Principalmente durante os dois primeiros atos, suas reações são muito realistas e ajudam a manter o espectador envolvido em cada nova ameaça.

Cregger também utiliza perspectivas que remetem diretamente aos jogos de tiro. Em uma das melhores sequências, Bryan segura uma espingarda enquanto a câmera assume praticamente o mesmo ponto de vista do personagem. A escolha cria uma atmosfera intensamente gamer sem transformar o filme em uma simples reprodução dos jogos. Os pequenos easter eggs espalhados pela narrativa recompensam os fãs, mas não impedem que a história seja compreendida por quem não conhece profundamente a franquia.

A atmosfera é assustadora, opressiva e cheia de jumpscares eficientes. Ao mesmo tempo, o diretor não abandona as pitadas de humor que já se tornaram características de seus filmes. A violência, os monstros e a música trabalham juntos para construir uma experiência tensa, enquanto Austin Abrams entrega uma atuação muito convincente como um homem comum tentando sobreviver a uma situação completamente absurda.

Talvez o último ato não seja inteiramente coerente com a história que vinha sendo desenvolvida. É nesse momento que o ponto de vista mais realista perde um pouco da força e algumas decisões parecem menos cuidadosas. Ainda assim, isso não faz com que Resident Evil deixe de ser divertido, assustador e emocionante. É uma ótima oportunidade para reiniciar a franquia e finalmente aproveitar todo o seu potencial cinematográfico.

Nota 8.

Resident Evil está em cartaz nos cinemas brasileiros. O filme ainda não possui previsão confirmada de lançamento em streaming no Brasil. 🎥


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