Obsession (lançado no Brasil como Obsessão) é um filme de terror escrito, dirigido e editado por Curry Barker. Michael Johnston e Inde Navarrette interpretam os protagonistas Baron “Bear” Bailey e Nikki Freeman, enquanto o elenco ainda conta com Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter. Na trama, o solitário Bear encontra um objeto sobrenatural conhecido como “One Wish Willow” e deseja que Nikki, sua antiga paixão, se apaixone por ele. O pedido funciona, mas o sentimento despertado está longe de representar o romance perfeito que ele imaginava.

Hoje em dia, é muito raro ir ao cinema, assistir a um filme com uma premissa simples e encontrá-la trabalhada de uma maneira tão extraordinária. Obsession é uma dessas experiências que nos deixam estupefatos quando os créditos começam a subir. Saí da sessão com os olhos brilhando, a boca aberta e uma única reação possível: “Uau, assisti a um filme incrível”.
Estamos diante de um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. É difícil afirmar que seja o melhor porque, felizmente, o gênero atravessa uma fase muito generosa, com produções excelentes aparecendo ano após ano. Como fã e alguém que acompanha o terror de perto, fico muito satisfeito com essa quantidade de boas obras. Ainda assim, mesmo dentro de um cenário tão rico e competitivo, Obsession consegue se destacar.
Parte desse impacto vem da maneira como Curry Barker aproveita cada centavo de uma produção que custou aproximadamente 750 mil dólares e foi filmada em apenas vinte dias. As locações são perfeitas, enquanto a maquiagem e a iluminação ampliam a atmosfera misteriosa e creepy da narrativa. A trilha sonora também desempenha um papel fundamental, envolvendo o espectador e ajudando a sustentar a sensação de que existe alguma coisa profundamente errada naquela história. É impressionante observar como recursos relativamente limitados foram transformados em uma identidade visual tão marcante.
Os protagonistas são excelentes e muito bem desenvolvidos. Michael Johnston consegue transmitir o sofrimento, a solidão e a depressão de Bear sem apagar aquilo que considero essencial: ele é o verdadeiro vilão da história. O filme compreende sua fragilidade, mas não a utiliza para inocentá-lo das consequências de seus atos. Essa combinação torna o personagem desconfortável, humano e assustador.
Seu contraponto aparece na figura de Nikki, interpretada brilhantemente por Inde Navarrette. Como a namorada obsessiva de Bear, ela rouba completamente as atenções e transforma cada mudança de comportamento em uma nova fonte de tensão. Johnston e Navarrette, cercados por ótimas atuações coadjuvantes, entregam cenas desconcertantes. Essa parece ser justamente a grande intenção do filme: colocar o público diante de algo extremamente desconfortável e, ainda assim, deixá-lo completamente satisfeito com os rumos tomados pela obra.
Obsession tem tudo para entrar para a história do terror e apresentar ao grande público um diretor cheio de talento, além de atores que certamente continuarão aparecendo em nossas telas. Em uma indústria que tenta gastar cada vez mais e nem sempre alcança bons resultados, Curry Barker fez exatamente o oposto. Por isso, tenho bastante certeza de que o cineasta será um dos nomes mais concorridos do cinema norte-americano nos próximos anos.
Nota: 10
No Brasil, Obsession está disponível para aluguel ou compra digital nas lojas do Apple TV e do Prime Video. Até o momento, não há opção incluída em uma assinatura.
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