Backrooms (lançado no Brasil como Backrooms: O Labirinto) é um filme de terror psicológico, sobrenatural e de ficção científica dirigido por Kane Parsons, com roteiro de Will Soodik. Chiwetel Ejiofor interpreta Clark, proprietário de uma loja de móveis que atravessa um período difícil após o fim de seu casamento, enquanto Renate Reinsve vive a psicóloga Mary. O elenco também conta com Mark Duplass, Finn Bennett, Lukita Maxwell e Avan Jogia. Na trama, uma passagem misteriosa surge no porão da loja de Clark e oferece acesso a uma dimensão formada por corredores, salas vazias e espaços aparentemente infinitos. Quando ele desaparece dentro desse labirinto, Mary decide procurá-lo.

Pôster do filme Backrooms (2026)

Estamos realmente vivendo um ótimo momento para os filmes de terror. O ano de 2026 está sendo excelente para o gênero, assim como toda a década de 2020 tem sido muito generosa com seus fãs. Depois de obras como Obsession, Backrooms surge como mais um filme excelente, capaz de trabalhar o terror psicológico e sobrenatural de maneiras bastante criativas.

A história tem origem em uma creepypasta surgida no 4chan em 2019, embora pertença a uma tradição de lendas e histórias coletivas que se tornou popular na internet durante os anos 2000. O conceito ganhou força a partir da imagem de uma sala vazia com paredes amareladas, carpete e uma iluminação fluorescente intensa. Era um lugar que parecia familiar e, ao mesmo tempo, profundamente errado. Essa combinação de reconhecimento e desconforto ajudou a popularizar a ideia dos chamados liminal spaces, ambientes de passagem que, quando aparecem completamente vazios, parecem colocar em dúvida a própria realidade.

Kane Parsons, também conhecido como Kane Pixels, transformou esse imaginário em uma série de curtas lançados no YouTube. A qualidade e a enorme repercussão desses vídeos abriram espaço para que o jovem diretor levasse sua visão ao cinema em uma produção da A24 com um elenco de peso. O longa expande aquele universo sem perder a estranheza que tornou os vídeos tão fascinantes.

Clark e Mary são dois protagonistas problemáticos e emocionalmente feridos. Ele tenta encontrar uma maneira de seguir em frente, enquanto sua psicóloga também carrega traumas que retornam quando a existência dos Backrooms é descoberta. O filme demora um pouco para entregar maior protagonismo a Mary, mas é justamente quando isso acontece que a narrativa alcança seus melhores momentos. Renate Reinsve é excelente ao mostrar como a personagem interpreta aquele espaço não apenas como uma ameaça sobrenatural, mas como um reflexo de medos e lembranças que ela tentou manter escondidos.

O principal componente da narrativa, naturalmente, é o lugar onde tudo acontece. Os Backrooms são verdadeiramente desconcertantes. O filme transporta o imaginário dos liminal spaces para o cinema de maneira eficaz e cria possibilidades de realidades paralelas capazes de mexer com a percepção do espectador. Cada corredor vazio, luz fluorescente e ambiente aparentemente banal carrega a impressão de que existe alguma coisa terrivelmente errada logo fora do nosso campo de visão.

A trilha sonora, composta por Kane Parsons e Edo Van Breemen, também é excelente e ajuda a sustentar a atmosfera de suspense e tensão do início ao fim. Ao mesmo tempo, o filme encontra espaço para refletir sobre a vida que estamos levando, os traumas que carregamos e aquilo que consideramos real. Mesmo demorando para alcançar seu ponto mais forte, Backrooms é muito eficiente em sua proposta e demonstra como ideias nascidas nos cantos mais estranhos da internet podem encontrar novas formas no cinema.

Nota: 9

No Brasil, Backrooms: O Labirinto ainda pode ser encontrado em cinemas selecionados e está disponível para aluguel ou compra digital nas lojas do Apple TV e do Amazon Video. No momento, não há opção incluída em uma assinatura.


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