Escrito e dirigido por Jane Schoenbrun, Teenage Sex and Death at Camp Miasma é um terror metalinguístico estrelado por Hannah Einbinder e Gillian Anderson. Terceiro longa de Schoenbrun, depois de We’re All Going to the World’s Fair e I Saw the TV Glow, o filme revisita o universo dos slashers dos anos 1980 para explorar questões de gênero, sexualidade, desejo e os traumas da adolescência que continuam acompanhando muitas pessoas, especialmente as LGBT, durante a vida adulta.

Hannah Einbinder interpreta Kris, uma jovem cineasta queer contratada para ressuscitar Camp Miasma, uma franquia de terror que já teve seus dias de glória, mas perdeu relevância depois de inúmeras continuações inferiores. Decidida a recuperar aquilo que tornava o filme original tão especial, Kris procura Billy Presley, a atriz reclusa que interpretou a icônica “final girl” da história e que agora vive afastada dos holofotes. O encontro entre as duas as conduz a um universo cada vez mais confuso e sangrento, no qual desejo, medo, obsessão e cinema começam a se misturar.
Jane Schoenbrun é uma das vozes mais criativas do cinema contemporâneo, e quem já está acostumado com seus trabalhos provavelmente compreenderá rapidamente o tipo de experiência que o filme propõe. Ainda assim, este talvez seja seu longa mais comercial e acessível até agora, embora continue sendo complexo e desafiador em diversos aspectos.
O filme utiliza a linguagem do terror para falar sobre como as imagens que consumimos durante a juventude podem influenciar nossa percepção do próprio corpo, da sexualidade e da identidade. Os traumas da adolescência não desaparecem quando chegamos à vida adulta. Eles apenas assumem novas formas, influenciando nossos relacionamentos, desejos e a maneira como permitimos que outras pessoas nos enxerguem.
Apesar da densidade desses temas, Teenage Sex and Death at Camp Miasma consegue trabalhar tudo de maneira bastante aberta e, em muitos momentos, surpreendentemente divertida. Em outros, o filme se torna mais firme, pesado e perturbador. Mesmo assim, ele diverte mais do que assusta, utilizando o terror menos como uma ferramenta para provocar sustos e mais como uma linguagem para investigar seus personagens.
Hannah Einbinder, uma das atrizes mais interessantes da atualidade, está maravilhosa. Sua interpretação encontra o equilíbrio entre humor, insegurança, obsessão e desejo, fazendo com que Kris permaneça fascinante mesmo quando começa a atravessar limites perigosos. Gillian Anderson também está fabulosa. Sua Billy Presley carrega o peso de uma mulher assombrada não apenas pelo passado, mas também pela personagem que interpretou e pela imagem que os fãs construíram ao seu redor.
A relação entre as duas mulheres sustenta o filme, enquanto Schoenbrun brinca com a separação cada vez menos clara entre a realidade e a ficção. O resultado é uma homenagem ao terror dos anos 1980 e a tudo de extraordinário que surgiu do universo narrativo e criativo daquela década, mas sem se limitar a simplesmente reproduzir sua estética.
A nostalgia aqui é trabalhada de maneira intensa. O filme recupera imagens, arquétipos e sensações do passado para questionar o que eles significam quando vistos por uma perspectiva queer contemporânea. É exatamente por isso que Teenage Sex and Death at Camp Miasma tem tudo para entrar no universo dos grandes filmes cult, tornando-se uma daquelas obras que serão redescobertas, procuradas e veneradas cada vez mais nos próximos anos.
Nota 10!
No Brasil, o filme recebeu o título de Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte e, no momento da publicação deste texto, ainda pode ser encontrado em algumas salas de cinema. Por enquanto, não está disponível nos serviços brasileiros de streaming, compra ou aluguel digital.
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