Evil Dead Burn (lançado no Brasil como A Morte do Demônio: Em Chamas) é um filme de terror dirigido por Sébastien Vaniček, cineasta francês responsável por Infested. Escrito pelo diretor em parceria com Florent Bernard e produzido por nomes como Sam Raimi e Rob Tapert, o longa é protagonizado por Souheila Yacoub, acompanhada por Tandi Wright, Hunter Doohan, Luciane Buchanan, Erroll Shand, Maude Davey e George Pullar. Esta é a sexta produção cinematográfica da franquia Evil Dead e sucede Evil Dead Rise, de 2023.

A história acompanha Alice, uma mulher que vivia um relacionamento abusivo e tenta lidar com a morte do marido. Em busca de algum conforto, ela visita a família dele em uma casa isolada. O encontro, que já seria difícil pelas tensões existentes entre Alice e seus parentes por afinidade, transforma-se em um pesadelo quando uma força demoníaca começa a possuir os membros da família, convertendo-os nos violentos Deadites que fazem parte da mitologia da franquia.
Depois de um filme anterior que considero bastante problemático, Evil Dead Burn representa uma decisão muito mais acertada para a série. Vaniček compreende aquilo que o público espera de uma produção desse universo, mas também procura encontrar uma perspectiva própria para justificar esse novo capítulo.
O filme faz um ótimo trabalho ao relacionar os traumas reais vividos por Alice durante seu casamento tóxico e abusivo ao universo sobrenatural dos demônios que agora infernizam sua vida. Felizmente, a narrativa não transforma a violência praticada pelo marido em algo simplesmente provocado por forças malignas. As atitudes dele continuam sendo tratadas como escolhas humanas, enquanto a presença dos Deadites funciona como uma extensão terrível das experiências que ainda assombram Alice depois de sua morte.
Ao mesmo tempo, o longa sustenta firmemente a herança de Evil Dead. Estamos diante de um filme carregado de sangue, cenas extremamente violentas e muita criatividade na construção das mortes. Objetos comuns são utilizados de maneiras grotescas, e a edição de Maxime Caro ajuda a tornar essa inventividade ainda mais potente. O ritmo dos cortes valoriza tanto o impacto da violência quanto a sensação de que a protagonista não possui um instante de segurança dentro daquela casa.
Souheila Yacoub está muito bem como Alice e consegue transmitir a vulnerabilidade de uma mulher traumatizada sem retirar sua capacidade de reação. Sua atuação mantém o envolvimento emocional do público mesmo quando a narrativa abandona momentaneamente o desenvolvimento das personagens para se dedicar ao espetáculo sanguinário.
Esse é também o maior problema do filme. Durante boa parte do ato intermediário, a história parece ficar presa em uma sucessão de ataques e momentos de violência que não fazem a narrativa avançar. O gore é necessário e esperado em uma produção da franquia, mas poderia ter sido acompanhado por um desenvolvimento mais consistente das relações familiares e das personagens envolvidas.
Ainda assim, Evil Dead Burn cumpre a maior parte de sua missão. É brutal, criativo e muito mais interessante do que a produção anterior, mesmo que não aproveite completamente o potencial dramático de sua protagonista.
Nota: 6
Evil Dead Burn está disponível no Brasil para aluguel ou compra digital na Amazon Video e na Apple TV Store. O filme também continua em exibição em alguns cinemas. 🎥
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