Sundance 2022: Alice

Um dos filmes que mais chamou atenção quando divulgado na programação do Festival de Sundance de 2022, Alice é um suspense dramático histórico escrito e dirigido por Krystin Ver Linden em sua estreia à frente de um longa-metragem. Inserido na sessão de competição dramática estadunidense, o filme traça comparações com o recente Antebellum, de 2020, que tem uma premissa e uma proposta bastante similares. Como Antebellum não contou com uma execução muito eficiente e pareceu forçar a mão no tema abordado, as expectativas eram de que Alice pudesse finalmente dar conta de trazer um bom filme com uma premissa semelhante eram altas, mas esse não foi o caso, infelizmente.

Inspirado em fatos reais, Alice conta a história de uma jovem negra escravizada chamada Alice (vivida pela ótima Keke Palmer) que passa seus dias em uma fazenda do estado norte-americano da Geórgia ansiando incansavelmente por liberdade. Após um violento confronto com Paul (Jonny Lee Miller), o dono da fazenda onde vive, Alice foge pelos bosques vizinhos e acaba indo ao encontro do desconhecido. Sua primeira visão é de uma estrada, onde dá de cara com um caminhão. A jovem logo descobre que o ano é na verdade 1973 e que a escravidão já foi abolida nos Estados Unidos há mais de um século.

Algum dia, em algum lugar, alguém certamente fará um bom filme com essa mesma premissa tão relevante e impactante. Alice não foi esse filme, com certeza, o que é uma pena. Assim como Antebellum antes dele, Alice não consegue capitalizar no que poderia ter sido uma história incrível acerca da perpetuação das injustiças sociais num país que luta até hoje conta o racismo e o preconceito. O primeiro erro do filme é ter uma sinopse que já conta mais de um terço da sua história, eu diria que quase metade da obra é relevada na sinopse, o que poderia ser evitado facilmente, porque o seu primeiro ato é longo demais, para não dizer completamente desnecessário. Como já sabemos que Alice conta a história de uma jovem negra escravizada na década de 1970, o filme poderia nos poupar de longos minutos apenas ilustrando as já conhecidas mazelas da escravidão e partir rapidamente para o momento em que Alice foge da fazenda, mas isso não acontece. Mas os problemas não param aí, porque entramos logo num segundo ato muito irreal, que também foi bastante corrido. Em poucos minutos Alice precisa aprender tudo o que existe nos anos 70, e isso é feito da forma nada realista no filme. E então temos um terceiro ato confuso, mesmo que traga uma certa satisfação. Isso é tão triste porque a premissa é boa, os atores dão o seu melhor, mas o filme simplesmente não funciona.

Nota 4!

No momento da publicação deste artigo, Alice acabou de estrear no Festival de Sundance e ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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