Sundance 2022: Blood

Um drama delicado e cheio de nuances escrito e dirigido por Bradley Rust Gray, Blood é um filme lento sobre a viva e as perdas que precisamos encarar. Um dos últimos filmes que assisti no Festival de Sundance desse ano, essa bela história sobre recomeços quase que ficou de fora da minha seleção de obras a assistir, mas como ainda tinha um último ingresso sobrando, decidi aproveitar e me jogar quando descobri que parte da história se passava no Japão, país que tanto amo. E, felizmente, não me arrependi nenhum pouco de embarcar nessa viagem para o outro lado do mundo.

Blood é protagonizado por Chloe (vivida por uma excelente Carla Juri), uma mulher que viaja para o Japão para reencontrar amigos após a perda recente do marido. Trabalhando como fotógrafa, a recém viúva passa seus dias focando em projetos e ao lado dos amigos, principalmente do japonês Toshi (interpretado por Takashi Ueno). Chloe passa seus dias entre a melancolia da perda do homem que mais amava e a estranheza das novas perspectivas que adquiriu após o trágico evento. Ela vai passando por novas experiências enquanto tenta seguir em frente, mesmo sabendo o quão dolorosa é essa missão.

Blood

Nos últimos dias do Festival de Sundance, eu já tinha praticamente descartado assistir Blood, uma vez que os comentários de outros críticos eram na maioria um tanto mornos. A média das notas era uma das menores dos filmes dramáticos do festival e todos comentavam o quão lento o filme era. Eu definitivamente estava cansando de filmes lentos, mas algo na sinopse dessa história me prendeu, algo além do fato de que grande parte do filme se passa no Japão, que já era um plus para mim. E ao assistir, notei que se trata de um filme tão sutil e delicado, que realmente pode deixar algumas pessoas cansadas, mas não foi meu caso. Todas as cenas têm razão de ser, elas existem por algum motivo que geralmente está relacionado a nos deixar descobrir um pouco mais sobre os estados de espírito das personagens, algo que é muito bem trabalhado aqui.

A medida que mergulhamos nos universos das personagens, vamos também abrindo nossos horizontes. É como se estivéssemos convivendo com aquelas pessoas, criando novos amigos, acompanhando momentos de suas rotinas, tudo de forma muito natural graças so excelente texto de Bradley Rust Gray, que também tem uma direção envolvente e quase que documental. Outro destaque do filme são as atuações, todas magnificas, com destaque para a protagonista Carla Juri. Takashi Ueno também merece muitos elogios, uma vez que ele não é ator profissional e esse foi seu primeiro trabalho num filme. Mas quem rouba a cena mesmo é a pequena Futaba Okazaki, que interpreta a pequena filha de Toshi com síndrome de Down e que traz uma alegria ao filme, momentos de descontração ao meio a um tema tão pesado. Essa mistura faz do filme ainda mais especial e ajuda a construir o sentimento de esperança que ele deixa ao final.

Nota 10!

No momento da publicação deste artigo, Blood acabou de estrear no Festival de Sundance e ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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