PETITE MAMAN – 2021

Céline Sciamma é uma das cineastas mais talentosas e criativas dessa geração. Após o magnífico romance de época Retrato de uma Jovem em Chamas (em francês chamado Portrait de la jeune fille en feu), de 2019, que é certamente um dos melhores filmes da atualidade, e de ótimos obras sobre a infância e a adolescência de pessoas que se sentem diferentes daquilo que a sociedade espera, como Tomboy, de 2011, e Girlhood, de 2014, a diretora e roteirista francesa ataca novamente com mais um filme emocionante sobre a nostalgia que sentimos da nossa infância e sobre as experiências que nos tornam quem somos. Petite Maman (que por enquanto mantém o mesmo nome em português) é um drama fantástico que conta a história da pequena Nelly (vivida pela ótima Joséphine Sanz), de apenas oito anos, que acabou de perder a avó e está ajudando os seus pais a limpar a casa onde sua mãe, Marion (interpretada pela excelente Nina Meurisse) passou a infância. Ao explorar a casa e as redondezes, Nelly procura por uma casa na árvore construída pela mãe há muitos anos atrás e acaba se surpreendendo quando encontra o local e uma outra menina (a igualmente ótima Gabrielle Sanz) de também oito anos como ela.

E Sciamma acerta mais uma vez com o adorável Petite Maman. É impossível não se emocionar ao assistir a uma história tão poderosa de laços familiares e nostalgia. A diretora sabe muito bem como tocar profundamente em tópicos que nos fazem sentir conectados e, dessa forma, faz com que nos imaginemos nas mesmas situações pelas quais os personagens estão vivendo. O filme nos leva a refletir sobre o passado, não só sobre o nosso próprio, mas sobre os passados das pessoas que amamos e como suas experiências moldaram suas vidas. Este é o tipo de drama independente cheio de fantasia que ninguém mais poderia ter produzido, exceto Sciamma. A originalidade da história e a forma simples e autêntica de como ela é conduzida (com ajuda das duas incríveis atrizes mirins, Joséphine e Gabrielle Sanz) são marcas sempre presentes e sempre muito bem-vindas nas obras da diretora francesa. Os diálogos são curtos e diretos, a direção é sutil e reflexiva e o ritmo é lento e agradável na maior parte do tempo. O filme entrega apenas o suficiente para que a gente mergulhe no universo da narrativa, às vezes até menos do que queremos (é um filme de somente 72 minutos), mas esse pouco já é o bastante para nos impactar. É aquele tipo de filme que aquece o coração e fica na nossa mente por dias e dias.

Nota 9!

No momento, Petite Maman ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema.


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