EU MATEI MINHA MÃE – 2009

Esse ótimo drama LGBTQ+ é o filme de estreia do cineasta canadense Xavier Dolan, um dos principais nomes do cinema queer nas últimas décadas, em grande parte devido ao sucesso do seu primeiro longa-metragem. Com um roteiro que foi escrito por Dolan aos 16 anos de idade e que foi finalmente dirigido e protagonizado por ele aos 20, Eu Matei Minha Mãe (J’ai Tué ma Mère no original em francês e I Killed My Mother na versão em inglês), o filme é levemente autobiográfico ao acompanhar a turbulenta relação entre Hubert (interpretado pelo próprio Dolan) e sua mãe, Chantale (vivida por uma excelente Anne Dorval). Aos 17 anos, Hubert é um jovem gay que detesta tudo que esteja relacionado à sua mãe: suas roupas, seu estilo, seus trejeitos, etc. Além disso, a relação entre mãe e filho é baseada na manipulação e na culpa. O adolescente também passa por uma importante fase da sua vida, na qual descobre e desbrava a sua sexualidade, e isso também colabora para que suas emoções e seus sentimentos pelas pessoas ao seu redor estejam sempre à flor da pele.

Antes de tudo é preciso dizer que, para um jovem de 20 anos de idade dirigindo e atuando em seu primeiro filme cujo roteiro havia sido escrito quando era ainda mais novo, Eu Matei Minha Mãe é uma obra surpreendentemente bem feita em vários sentidos. É algo que poucas pessoas teriam a capacidade de fazer com tão pouca idade. Por isso é de se esperar que o filme tenha catapultado a carreira de Xavier Dolan às alturas, fazendo dele um dos principais nomes do cinema LGBTQ+ ao redor do mundo. O drama é cuidadosamente dirigido e, mesmo como ator, Dolan não deixa a desejar, muito embora ele não seja tão experiente quanto a fabulosa Anne Dorval, que faz sua mãe, e que, depois desse filme, se torna uma colaboradora frequente do diretor, aparecendo em cinco filmes dele até hoje. O roteiro também é bem escrito e faz um ótimo trabalho ao abordar o ódio adolescente, o rancor dos filhos para com os pais, a diferença geracional e as falhas de comunicação dentro da própria família, que acontecem frequentemente, mas que são ainda mais comuns quando se trata de filhos LGBTQ+, que se sentem ainda menos compreendidos por seus pais. O filme aborda também um pouco do universo homossexual fora da família de Hubert e acaba abraçando mais temas do que consegue trabalhar, mas isso não diminui as qualidades da história, que conta com uma das cenas de sexo mais coloridas do cinema!

Nota 9!

No momento, Eu Matei Minha Mãe não está disponível nas plataformas de streaming ou de aluguel oficiais do Brasil.


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