CENSOR – 2021

Um terror britânico com um ótimo visual, Censor é dirigido por Prano Bailey-Bond e escrito por Beiley-Bond com Anthony Fletcher. O filme nos transporta para a era dos “video nasties” no Reino Unido do começo da década de 1980, num momento em que o país começou a censurar um grande número de filmes, principalmente de terror, que traziam cenas de obscenidade e de violência explicita. Nesse contexto, Censor conta a história de Enid (vivida por Niamh Algar), uma das funcionárias de uma agência do governo responsável por censurar filmes antes de seus lançamentos, seja através de cortes de cenas consideradas impróprias ou impedindo seu lançamento como um todo. Um certo dia, a vida de Enid vai tomar um curso inesperado quando, ao assistir um dos filmes que ela precisa censurar, ela se depara com cenas estranhamente familiares que trazem de volta à sua mente o misterioso desaparecimento de sua irmã anos antes. Ela então começa a investigar o essa bizarra coincidência, o que a faz embarcar numa jornada que apaga a linha que separa a ficção da realidade.

O conceito de Censor, por mais específico que possa parecer, é realmente criativo e original. A ideia de escrever um filme de terror ambientado na época dos polêmicos “video nasties”, especificamente sobre uma pessoa responsável por censurá-los, é bastante singular e irônica, mesmo que um pouco óbvio quando você pensa muito sobre isso. Já no que diz respeito à execução, o filme tem altos e baixos. A impressão final que Censor me deixou é a de que temos praticamente dois filmes num só, e talvez essa seja mesmo a intenção dos criadores. Os primeiros dois terços da obra consistem em um drama psicológico sério e fundamentado em que acompanhamos a protagonista se perder nos pensamentos aterrorizantes instigados pelos filmes que assiste e pelos traumas do seu passado. Enquanto o último ato traz uma homenagem ao terror dos anos 80, bastante exagerado e até cômico, que muda completamente o tom do filme. É quando as linhas de ficção e realidade se tornam mais apagadas e, como falei, talvez essas mudança brusca tenha sido proposital. Ainda assim, não tenho certeza se a transição entre esses dois momentos foi bem estabelecida, o que deixa um sentimento de que algo está errado. De todo jeito, as atuações são boas e a conclusão é satisfatória o suficiente, embora me lembre bastante um outro filme de terror britânico recente que termina de forma parecida (e muito mais bem feita – clique aqui para saber qual é esse filme).

Nota 6!

Censor ainda não está disponível nas plataformas de streaming ou de aluguel do Brasil.


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