Curtas do Oscar: The Windshield Wiper

A origem do cinema se deu com os curtas. A convenção atual de que um film deve ter em torno de uma hora e meia ou duas horas de duração levou bastante tempo para se solidificar, com a produção de longas-metragens de popularizando apenas nas décadas de 1920 e 1930, principalmente nos Estados Unidos. Mas esse não foi o fim dos curtas-metragens, eles continuaram sendo uma opção mais barata de se produzir para cineastas iniciantes e uma ótima opções de entretenimento para quem tem menos tempo disponível, mas ainda assim quer conhecer uma boa história. Esse ano decidi fazer as críticas dos curtas indicados ao Oscar por dois motivos: primeiro, porque curtas podem ser tão incríveis quanto longas e são uma ótima oportunidade de se conhecer novos talentos; e segundo, porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA que organiza o Oscar tomou a triste decisão de fazer as entregas dos prêmios de Melhor Curta Live Action, Melhor Curta de Animação e Melhor Documentário em Curta-Metragem antes da cerimônia ao vivo, gravando os discursos e incluindo-os na transmissão ao vivo posteriormente, o que mostra um enorme descaso com esse formato de cinema tão antigo e precioso. O que é uma pena, uma vez que o Oscar é uma das poucas premiações de grande alcance que também premia filmes de curta-metragem.

Hoje vamos falar do encantador The Windshield Wiper (que leva o mesmo título em português), indicado ao Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação. O filme, dirigido, escrito, editado e co-produzido por Alberto Mielgo, é meu favorito na categoria nesse ano por diversos motivos. Ele conta a história de um homem que, ao tomar tomar seu café num cafeteria qualquer, faz uma pergunta a si mesmo: o que é o amor? Acompanhamos então uma sequência de inspiradas vinhetas e situações do dia a dia que ajudarão o homem a chegar perto de uma resposta. O mais incrível de The Windshield Wiper é que, em apenar 15 minutos, o filme é capaz de nos trazer diferentes cenas emocionantes, algumas de apenas alguns segundos, mas que conseguem transpor sentimentos relacionados ao amor que todos nós já sentimos um dia. Uma troca de olhares, um silêncio tenso após uma discussão, uma visão que nos chama a atenção, tudo isso é muito bem traduzido em animações belíssimas, que podem parecer estranhas no começo, mas uma vez que você se acostuma, se apaixona pela arte do curta. O trabalho aqui é realmente fabuloso, com uma sequência mais estonteante que a anterior e com histórias que conquistam, mesmo aquelas mais previsíveis. Minha única reclamação é que senti que o filme poderia trazer mais exemplos de amor LGBTQ+ do que o que ele traz.

Nota 9!

No momento da publicação deste artigo, The Windshield Wiper ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil, mas pode ser encontrado no YouTube ou outros sites de compartilhamento de vídeos. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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