Curtas do Oscar: Boxballet

A origem do cinema se deu com os curtas. A convenção atual de que um film deve ter em torno de uma hora e meia ou duas horas de duração levou bastante tempo para se solidificar, com a produção de longas-metragens de popularizando apenas nas décadas de 1920 e 1930, principalmente nos Estados Unidos. Mas esse não foi o fim dos curtas-metragens, eles continuaram sendo uma opção mais barata de se produzir para cineastas iniciantes e uma ótima opções de entretenimento para quem tem menos tempo disponível, mas ainda assim quer conhecer uma boa história. Esse ano decidi fazer as críticas dos curtas indicados ao Oscar por dois motivos: primeiro, porque curtas podem ser tão incríveis quanto longas e são uma ótima oportunidade de se conhecer novos talentos; e segundo, porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA que organiza o Oscar tomou a triste decisão de fazer as entregas dos prêmios de Melhor Curta Live Action, Melhor Curta de Animação e Melhor Documentário em Curta-Metragem antes da cerimônia ao vivo, gravando os discursos e incluindo-os na transmissão ao vivo posteriormente, o que mostra um enorme descaso com esse formato de cinema tão antigo e precioso. O que é uma pena, uma vez que o Oscar é uma das poucas premiações de grande alcance que também premia filmes de curta-metragem.

Hoje vamos falar de Boxballet (sem título em português), um curta de animação russo dirigido e co-escrito por Anton Dyakov. O filme acompanha duas personagens bem contranstantes: uma delicada bailarina chamada Olya e o áspero e rude boxeador Evgeny. A abismal diferença entre seus mundos e suas filosofias é tão nítida que até mesmo a possibilidade de esses dois personagens se cruzarem parece irreal. Ainda assim, quando eles se encontram, uma conexão inesperada vai mudar os destinos dos dois. A animação de Boxballet em si é linda e criativa e o filme também usa muito bem o som e a música, como não poderia ser diferente num filme dessa temática. A história, porém, que é certamente fofinha, não nos desperta muito mais, infelizmente. Temos o típico clichê de opostos que se atraem que já vimos tantas e tantas outras vezes nos cinemas, na TV, no teatro, na literatura, em todo lugar! E a animação não traz nada de novo, não inova essa narrativa já tão desgastada. Por isso, ao final do curta, ficamos com a sensação de que vimos algo tão repetitivo e cansativo que chega a ser descartável, mesmo com o mérito técnico do filme.

Nota 5.

No momento da publicação deste artigo, Boxballet ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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