Sundance 2022: Resurrection

Um filme de terror e de suspense psicológico escrito e dirigido pelo cineasta estadunidense Andrew Semans, Resurrection era um dos filmes mais aguardados dessa edição do Festival de Sundance. O filme marca o retorno de Semans após 10 anos, uma vez que seu último longa-metragem foi lançado em 2012. Como é comum no evento, ele teve todos os tipos de reações quando foi exibido, mas a maioria delas positivas. E dessa vez, a obra é encabeçada por ninguém menos que a estonteante atriz e diretora Rebecca Hall. Eu era um dos críticos que está ansioso por mais uma história assustadora protagonizada pela atriz, depois do excelente The Night House, de 2021. Dessa vez, no entanto, não fiquei exatamente feliz com o resultado do filme.

Mas antes de entrar nos detalhes, vamos falar um pouco do enredo da obra. Resurrection conta a história de Margaret (vivida por um sempre muito eficiente Hall), uma mulher bem-sucedida e cuja vida está em ordem. Ela é capaz, disciplinada e tem um bom cargo numa empresa genérica que nunca sabemos exatamente o que é. Em breve, sua filha adolescente, Abbie (interpretada por Grace Kaufman), que Margaret criou sozinha, irá para a universidade, exatamente como a mãe pretendia. Tudo parece sob controle, até que David (vivido por Tim Roth), um monstro do seu passado, retorna trazendo horrores antigos e tirando a vida de Margaret dos trilhos.

Resurrection': Rebecca Hall Movie Acquired By IFC Films, Shudder – Deadline

Pela maior parte do tempo ficamos no escuro, sem saber exatamente qual é a relação entre Margaret e David, mas o filme constrói uma boa narrativa de suspense e tensão em torno disso. Quando, no entanto, esse mistério é revelado (num monólogo muito bem conduzido pela talentosa Hall, por sinal), sentimos como se tivéssemos levando um banho de água fria. Por mais que eu goste de thrillers psicológicos malucos, a premissa escolhida por Resurrection simplesmente não funciona tão bem quanto o autor gostaria. Ela não funciona de um ponto de vista realista, uma vez que é super absurda, e também não funciona de um ponto de vista surreal, que seria o caminho mais fácil para guiar essa história, mas o narrativa não faz uma boa preparação para tanto.

Quando o Resurrection tenta ser uma metáfora sobre maternidade, é muito básico e óbvio. Ele poderia ter sido uma ótima história sobre gaslighting e as tentativas de distinguir o real do imaginário após anos de manipulação psicológica, mas o filme simplesmente não chega lá, principalmente por conta de um último ato confuso. Ainda assim, o filme tem seus bons momentos e o tom é bem construído, mesmo que eu não seja um grande fã de filmes que segurem seu mistério inicial por muito tempo. E, claro, Rebecca Hall está fabulosa, como sempre, mas essa performance exceptional parece desperdiçada em uma tentativa tão simplista de criar um filme desconfortável que não se justifica. O que é uma pena, porque algumas pequenas mudanças poderiam ter salvado essa trama.

Nota 4!

No momento da publicação deste artigo, Resurrection acabou de estrear no Festival de Sundance e ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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