C’MON C’MON – 2021

Um lindo drama dirigido e escrito pelo talentoso cineasta Mike Mills, esse filme distribuído pela A24 nos Estados Unidos estreou em festivais há alguns meses e foi aclamado pela crítica. Filmado todo em preto e branco, C’mon C’mon (que em português leva o título Sempre em Frente) com a história de Johnny (vivido pelo sempre eficiente Joaquim Phoenix) um artista que, enquanto grava um projeto de rádio no qual entrevistas crianças, embarca em uma viagem por diversas cidades dos Estados Unidos com seu jovem sobrinho, Jesse (interpretado pelo jovem Woody Noman). Juntos eles vão passar por momentos únicos que, além de unir tio e sobrinho, vão ajudar os dois a superar seus medos e criar novas perspectivas de futuro, por mais amedrontador que isso seja. Tudo isso enquanto Viv, a mãe de Jesse (vivida pela ótima Gaby Hoffmann), luta para ajudar o pai do menino que é afetado por transtornos mentais.

Eu geralmente tenho diversos problema com crianças super inteligentes e peculiares em filmes e programas de TV em geral: elas parecem muito irrealistas, são como se fossem pequenos adultos que dizem e fazem coisas que nenhuma criança faz na vida real. Ao mesmo tempo, eu sei que Mike Mills consegue ser melhor do que isso e criar personagens mais verdadeiros. E realmente, o cineasta, que produziu dois dos filmes mais incríveis que já vi: o fabuloso curta I Am Easy to Find e o lindíssimo longa 20th Century Women, não nos decepciona nesse sentido. Mas devo dizer que tive medo no começo, porque Jesse é claramente um tipo de criança singular. Ainda assim, ele é uma criança real. Com o passar do tempo, vamos aprendendo mais sobre esse garoto excêntrico e fica mais fácil entender sua personalidade, mesmo que essa investigação não seja o objetivo de C’mon C’mon, que está mais preocupado nas relações entre as pessoas e em suas relações com o mundo em que habitam. E ouvindo outras crianças reais sendo entrevistadas por Johnny e seus colegas (que são os momentos mais maravilhosos do filme, todos gravados sem roteiro, vale ressaltar), fica claro o sentimento de que Jesse poderia facilmente ser um deles.

O filme sabe como nos conquistar, principalmente na relação entre Johnny e Jesse, mas também quando aborda nossa relação com as incertezas sobre o futuro. E, no meu caso, tendo também um sobrinho, um adorável menino mais ou menos da mesma idade de Jesse, não pude deixar de me emocionar e de me sentir um pouco triste por perceber o quão pouco o conheço, o quão pouco nos conhecemos de verdade. No fundo, este é um filme sobre ir atrás das pessoas que amamos, sobre ouvir, sobre se abrir, sobre compartilhar, e isso nos instiga de muitas maneiras diferentes. Saímos com o sentimento de que o incrível C’mon C’mon (que também tem uma fotografia maravilhosa e atuações excelentes) nos inspira a ter uma vida mais completa. Mike Mills acertou em cheio mais uma vez!

Nota 10!

No momento da publicação deste artigo, C’mon C’mon ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los!


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