MARIGHELLA – 2019

O filme que marca a estreia de Wagner Moura na direção de um longa-metragem, Marighella é um drama biográfico histórico que narra a luta do guerrilheiro Carlos Marighella e de outros militantes da esquerda brasileira contra a ditadura militar. O filme é baseado no livro Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, do jornalista Mario Magalhães, e tem o roteiro assinado pelo próprio Wagner Moura ao lado de Felipe Braga. Após estrear em 2019 no Festival de Cinema de Berlim, o drama seria lançado nos cinemas brasileiros, mas foi atrasado pela burocracia da Ancine e depois, com a chegada da pandemia de covid-19, o filme acabou ficando para 2021, quando finalmente estreou nos cinemas do Brasil. Marighella traz o cantor e ator Seu Jorge no papel do influente guerrilheiro e foca nos anos que se seguem o golpe de 1964 que deu início aos 21 anos de ditadura militar no Brasil. Nessa empreitada, ele terá a ajuda de estudantes e jornalistas que atuarão juntos na luta por democracia e igualdade, custe o que custar, inclusive pegando em armas quando necessário.

Uma primeira consideração que precisa ser feita: como Marighella e tantos outros heróis da ditadura que lutaram pela liberdade do Brasil nunca tiveram filmes ou obras de grande alcance que ajudasse a difundir seus feitos? É muito triste saber que, diferente de outros países da América Latina, o Brasil não fez seu trabalho de resgate da memória da ditadura militar que matou, torturou e destruiu as vidas de tantos cidadãos no país inteiro. Como resultado, temos a situação política atual do Brasil onde tantos brasileiros desconhecem o triste passado que vivemos. E também temos poucos filmes como Marighella, infelizmente. Dito isso, vamos à obra em si.

Aqui, temos a tentativa de criar uma espécie de suspense de ação a partir da vida de Marighella e da luta armada no Brasil. Por esse motivo, alguns personagens, como o delegado Lúcio (vivido por um sempre eficiente Bruno Gagliasso), acabam ganhando mais destaque do que deveriam. Ao tomar essas liberdades, o filme procura criar um conflito ainda mais instigante, como se isso fosse necessário. Acredito que o filme poderia ter sido mais fiel à história da época e trazer a ditadura como a verdadeira vilã, inclusive focando mais na política a nível federal. Outro detalhe um pouco estranho está na omissão de nomes de pessoas reais, como o próprio Lúcio, que é claramente baseado no torturador e assassino Sérgio Fleury. Talvez a intenção tenha sido incluir outros torturadores no mesmo papel? Não sei dizer, mas me pareceu desnecessário. De qualquer forma, o filme consegue passar a sua mensagem de forma clara e inteligente, com uma edição criativa e atuações fortes, principalmente de Seu Jorge. Vários momentos são difíceis de assistir e conseguem impactar e emocionar. É um tipo de filme que todo brasileiro deveria assistir, ainda mais no Brasil de hoje. No fim das contas, o maior mérito de Marighella como filme é o fato dele ter sido feito, dele existir num país que não conhece sua história e que não conhece aqueles que lutaram pelas tão frágeis democracia e pela liberdade.

Nota 7!

No momento da publicação deste artigo, Marighella está disponível para streaming na Globoplay. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode clicar em JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los!


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2 comentários em “MARIGHELLA – 2019

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  1. Depois de muito tempo da polêmica criada sobre a divulgação e subsídio do filme, decidi assistir. Não entendi o porquê de tanta confusão… Mesmo quem era contra a obra, se tivesse assistido, seria favorável a estimular o público a assistir o filme… Que bomba! Sem dúvidas, está entre os dez piores filmes que já vi… Não consegue nem ser tosco o bastante para dizer que essa foi a intenção do autor ou do diretor… É ruim e fraco mesmo… Muita vergonha alheia em lembrar da confusão que fizeram por nada… Nem de propaganda para a esquerda, ele serve… É, sim, um desserviço à militância séria.

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