FLEE – 2021

Um documentário em forma de animação, Flee é uma co-produção entre diversos países que tem como produtores executivos os atores Riz Ahmed, de Sound of Metal, e Nikolaj Coster-Waldau, de Game of Thrones. O filme é dirigido pelo cineasta dinamarquês Jonas Poher Rasmussen, que também assina o roteiro ao lado do protagonista da obra, Amin. O filme teria sua estreia no Festival de Cannes de 2020, que acabou não ocorrendo por conta da pandemia de covid-19, e foi lançado somente um ano depois, no Festival de Sundance in janeiro de 2021. O documentário se baseia numa série de entrevistas com um homem que, para sua própria segurança, se identifica apenas como Amin, o que deve provavelmente se tratar de um nome fictício. A história desse homem, no entanto, não tem nada de ficção. Prestes a se casar com seu namorado dinamarquês, Amin, um refugiado afegão, conta pela primeira vez a sua história real como imigrante que fugiu do Afeganistão nos anos 90 em busca de abrigo durante a guerra civil do país. Juntamente com sua família, Amin teve que enfrentar os mais diversos obstáculos por ser imigrante e gay.

Flee é um filme muito marcante, não só pela história impactante que ele narra, mas também pela forma como ele faz isso. Ao transformar os personagens do filme em animação, um técnica que sempre parece lúdica e divertida, para contar uma história tão triste e densa, o documentário acaba sendo ainda mais desconcertante e consegue descrever com eficácia os momentos mais perturbadores da vida do jovem afegão. Claro, a função da animação aqui não é somente a de fomentar esse contraste, mas também de proteger as identidades dos envolvidos. Nesse sentido, ele acaba lembrando outro surpreendente documentário recente que fala sobre refugiados LGBTQ+, o aclamado Welcome to Chechnya, que também inova ao proteger as identidades das vítimas sobreviventes de ataques e perseguição no sul da Rússia.

No caso de Flee, que foca na trajetória de Amin e de sua família, a abordagem é mais pessoal e biográfica, mas não menos potente. Ao mergulhar na história dessa família que teve suas vidas praticamente destruídas pela guerra e pelo preconceito, nos tornamos testemunhas das injustiças do mundo e sentimos, mesmo que temporariamente, um pouco da dor de quem precisa lutar para ter uma vida digna. Ao fim do documentário, que conclui de forma não menos tocante, nos vemos obrigados, de uma forma ou de outra, a refletir sobre a nossa vivência em sociedade, principalmente em tempos nos quais o Afeganistão volta aos noticiários após a tomada do Taliban e milhares de outros Amins precisarão de refúgio, mas infelizmente, não terão.

Nota 10!

No momento, Flee (que até o momento mantém o mesmo título em português), ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil.


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