VALENTINA – 2020

Alerta de gatilho: parte da história desse filme envolve um caso de abuso sexual.

Nesse final de semana tive a sorte de assistir Valentina na versão online do Festival do Rio, na mostra Premiere Brasil, e realmente gostei da experiência. Dirigido por Cássio Pereira dos Santos, que também assina como roteirista, o drama de 2020 conta a história de Valentina (interpretada por uma fabulosa Thiessa Woinbackk), uma adolescente trans de 17 anos que se muda com a mãe (a já excelente veterana Guta Stresser) para uma cidade do interior de Minas Gerais. Na nova cidade, para poder se matricular na nova escola, Valentina vai precisar entrar em contato com o pai distante (vivido pelo ótimo Rômulo Braga), além de passar por obstáculos ainda maiores pelo simples fato de ser uma garota trans, e nessa jornada a jovem vai descobrir a importância ter o apoio de amigos e da família.

Muito bem dirigido e com uma ótima edição, Valentina é um filme que merece uma tonelada de elogios! Na esteira do também incrível Alice Junior, o drama é mais uma ótima narrativa que traz protagonistas transgêneros interpretadas por talentosas atrizes trans, mostrando que o cinema nacional está cada vez mais atento às tendências globais de trazer para o primeiro plano histórias autênticas que antes não eram contadas, ou que quando eram contadas, traziam atores cisgêneros nos papéis principais, tirando as oportunidades de tanta gente competente que luta por um lugar na indústria. No que diz respeito à narrativa em si, Valentina é simples e contundente ao mesmo tempo, focando no dia a dia da protagonista enquanto ela tenta contato com seu pai, faz novas amizades e enfrenta a batalha que é viver numa sociedade transfóbica.

Talvez o filme foque demais nos obstáculos, o que é compreensível, uma vez que eles realmente existem e são numerosos, mas senti falta de conhecer um pouco mais sobre outros aspectos da vida de Valentina, como seus gostos, suas vontades e suas expectativas de futuro. De qualquer forma, a interpretação de Thiessa Woinbackk é excelente e ajuda a dar à personagem nuances que não estão no texto. Outra atuação sensível que merece elogios é de Guta Stresser no papel da mãe de Valentina, que apoia a filha e sofre junto com ela de uma forma que só uma atriz do calibre de Stresser conseguiria entregar, provando que ela é uma das melhores intérpretes dos últimos tempos no Brasil. Algumas atuações mais secundárias, no entanto, são um pouco irregulares, mas não chegam a distrair ou prejudicar a experiência. Valentina também conta com uma ótima trilha sonora, que é suave como o tom do filme e que nos ajuda a embarcar na trajetória da personagem principal.

Nota 8!

Por enquanto, Valentina está disponível somente em festivais, mas deve estrear em breve nos cinemas do Brasil.


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