EU ME IMPORTO – 2020

Um dos mais novos lançamentos da Netflix, Eu Me Importo (I Care a Lot, no original em inglês), é um filme de suspense levemente cômico (e muito ênfase no levemente) dirigido pelo inglês J Blakeson. O filme conta a história de Marla Grayson (interpreta por uma Rosamund Pike que parece ser sido trazida diretamente de Garota Exemplar), ela é uma guardiã de idosos que não podem se cuidar sozinhos e criou todo um esquema fraudulento para conseguir se apossar das riquezas desses idosos. Marla e sua parceira Fran (vivida por Eiza Gonzalez) aplicam golpes nesses clientes com a ajuda do diagnóstico da médica Dra. Karen (interpretada Alicia Witt) e de diversos outras pessoas com quem elas trocam favores, como donos de casas de repouso, por exemplo. No entanto, quando Marla e Fran parecem ter encontrado o alvo perfeito em Jennifer Peterson (vivida por uma excelente Dianne Wiest), uma senhora de 70 anos que não tem nenhum parente vivo, as coisas começam a sair do controle de forma que elas jamais imaginariam.

Eu Me Importo tem diversos problemas que não me permitiram gostar do resultado final do filme. Como eu sempre digo: é difícil gostar de uma história onde todos os personagens principais são pessoas egoístas desprezíveis. É necessário que o espectador tenha o mínimo de empatia com o protagonista. Ele é um anti-herói problemático? Tudo bem, desde que a gente entenda seus motivos. Nesse caso, os motivos de Marla não são bem desenvolvidos, ela quer ser rica, e só. Mas ela já é rica, ela só quer ser ainda mais rica. Nos primeiros segundos do filme temos uma narração de Marla comentando que foi pobre um dia, mas nunca vimos essa fase difícil e batalhadora dela. Já começamos com a Marla corrupta que ganha a vida dando golpes em idosos.

Mas não me interpretem mal, por favor, Eu Me Importo é um filme criativo e que faz muito pela representação LGBTQ, inclusive, mas a execução da história como um todo errou em cheio. Rosamund Pike vive mais uma “girl boss”, mas nesse caso sem a uma personalidade complexa. O filme não conseguiu construir uma protagonista forte e nunca nos convence de que as motivações das personagens sejam justificadas. Além disso, o filme escolhe usar um humor ácido que não cabe muito bem numa narrativa que envolve um tema bastante sério, ele tenta ser uma crítica ao capitalismo, mas não consegue sair do lugar. Aliás, por mais que tente, esse filme não é uma comédia, ele está mais para tragédia, mesmo. E o ato final, que é super inverossímil, também escolhe uma abordagem niilista que não contribui em muita coisa para a problemática trazida pelo enredo. Ainda assim, o filme merece crédito por atuações charmosas e uma ótima trilha sonora.

Nota 4!

Eu Me Importo está disponível para streaming na Netflix.


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