Curtas do Oscar: Bestia

A origem do cinema se deu com os curtas. A convenção atual de que um film deve ter em torno de uma hora e meia ou duas horas de duração levou bastante tempo para se solidificar, com a produção de longas-metragens de popularizando apenas nas décadas de 1920 e 1930, principalmente nos Estados Unidos. Mas esse não foi o fim dos curtas-metragens, eles continuaram sendo uma opção mais barata de se produzir para cineastas iniciantes e uma ótima opções de entretenimento para quem tem menos tempo disponível, mas ainda assim quer conhecer uma boa história. Esse ano decidi fazer as críticas dos curtas indicados ao Oscar por dois motivos: primeiro, porque curtas podem ser tão incríveis quanto longas e são uma ótima oportunidade de se conhecer novos talentos; e segundo, porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA que organiza o Oscar tomou a triste decisão de fazer as entregas dos prêmios de Melhor Curta Live Action, Melhor Curta de Animação e Melhor Documentário em Curta-Metragem antes da cerimônia ao vivo, gravando os discursos e incluindo-os na transmissão ao vivo posteriormente, o que mostra um enorme descaso com esse formato de cinema tão antigo e precioso. O que é uma pena, uma vez que o Oscar é uma das poucas premiações de grande alcance que também premia filmes de curta-metragem.

Hoje vamos falar de Bestia (que mantém o mesmo título em português até o momento), um curta de animação chileno dirigido por Hugo Covarrubias. O filme, que faz excelente uso de técnicas de stop-motion, se inspira na vida de Íngrid Olderöck, uma agente da inteligência chilena durante a nefasta ditadura militar do país nos anos 70. A mulher, que foi responsável por inúmeros crimes e violações de direitos humanos, é retratada no filme como uma pessoa que passa por conflitos internos por conta dos atos hediondos que cometeu durante grande parte de sua vida. Sua relação com seu cachorro, seu corpo, seus medos e frustrações revelam uma severa fratura em sua mente que, por sua vez, reflete o também os traumas do país. Tive a chance de assistir Bestia no festival de Sundance e minha reação foi de muita dúvida. O curta-metragem, por si só, não foi suficiente para criar uma imagem clara do que estava acontecendo. Eu tive que ler mais sobre o filme, fazer toda uma pesquisa, para então entender alguma coisa e mesmo depois de entender quem era aquela personagem e qual a história retratada, não tenho certeza se o filme faz um bom trabalho reimaginando essa figura tão desprezível da vida real. Precisamos mesmo pegar nomes tão obscuros e asquerosos da história humana e lhes dar papéis de protagonismo? Não sei. A animação é lindíssima, no entanto.

Nota 4.

No momento da publicação deste artigo, Bestia ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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