Curtas do Oscar: Lead Me Home

A origem do cinema se deu com os curtas. A convenção atual de que um film deve ter em torno de uma hora e meia ou duas horas de duração levou bastante tempo para se solidificar, com a produção de longas-metragens de popularizando apenas nas décadas de 1920 e 1930, principalmente nos Estados Unidos. Mas esse não foi o fim dos curtas-metragens, eles continuaram sendo uma opção mais barata de se produzir para cineastas iniciantes e uma ótima opções de entretenimento para quem tem menos tempo disponível, mas ainda assim quer conhecer uma boa história. Esse ano decidi fazer as críticas dos curtas indicados ao Oscar por dois motivos: primeiro, porque curtas podem ser tão incríveis quanto longas e são uma ótima oportunidade de se conhecer novos talentos; e segundo, porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA que organiza o Oscar tomou a triste decisão de fazer as entregas dos prêmios de Melhor Curta Live Action, Melhor Curta de Animação e Melhor Documentário em Curta-Metragem antes da cerimônia ao vivo, gravando os discursos e incluindo-os na transmissão ao vivo posteriormente, o que mostra um enorme descaso com esse formato de cinema tão antigo e precioso. O que é uma pena, uma vez que o Oscar é uma das poucas premiações de grande alcance que também premia filmes de curta-metragem.

Hoje vamos falar do visualmente estonteante Lead Me Home (que em português leva o título Onde Eu Moro). Indicado ao Oscar de Melhor Documentário Curta-Metragem, o filme é dirigido pelo brasileiro Pedro Kos e pelo estadunidense Jon Shenk (que co-dirigiu o aclamado documentário longa-metragem Athlete A em 2020). Esse é meu favorito entre os cindo indicados a essa categoria no Oscar desse ano, e não apenas porque temos um brasileiro envolvido na produção – e a possibilidade do primeiro brasileiro levar a estatueta do maior prêmio do cinema mundial. Lead Me Home traz histórias impactantes de pessoas em situação de rua da Costa Oeste dos Estados Unidos antes e durante a pandemia de covid-19. O filme acompanha essas pessoas, contando como elas foram acabar vivendo nas ruas ou em abrigos, enquanto mostra a falta de políticas públicas por parte do governo estadunidense para lidar com essa crise de moradia. Além disso, de forma inteligente e com uma fotografia incrível, o filme contrasta as vidas dessas pessoas com o gigantesco universo da construção civil e dos altos custos imobiliários nas grandes cidades dos EUA. O resultado parece ambicioso demais para seus 40 minutos de duração, mas ainda assim é emocionante e nos faz refletir sobre esse tema tão esquecido e ignorado por todos.

Nota 9!

No momento da publicação deste artigo, Lead Me Home está disponível para streaming na Netflix. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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