JUNGLE CRUISE – 2021

Após o sucesso da franquia Piratas do Caribe, cujos filmes foram inspirados numa atração dos parques da Disney, chegou a vez de uma nova atração ter sua história contada nos cinemas. Um projeto que começou a ser discutido em 2004, mas que só foi lançado em 2021, Jungle Cruise (que até o momento mantém o mesmo título em português) é dirigido pelo diretor espanhol radicado nos Estados Unidos, Jaume Collet-Serra e escrito pelos roteiristas norte-americanos Glenn Ficarra, John Requa e Michael Green. Uma aventura repleta de fantasia que se passa em 1916, Jungle Cruise conta a história da destemida Doutora Lily Houghton (interpretada por Emily Blunt), uma cientista curiosa e excêntrica que está em busca das Lágrimas de Cristal, uma planta cujas pétalas, segundo lendas, podem curar qualquer tipo de doença e, por consequência, revolucionar a medicina. Mas para encontrar essa poderosa planta mística, Lilly terá que mergulhar no coração da Amazônia onde ela encontrará, além dos desafios da selva, alguns obstáculos sobrenaturais assustadores. Felizmente, Lily terá a ajuda de seu irmão, MacGregor (vivido por Jack Whitehall) e de Frank “Skipper” Wolff (interpretado por Dwayne Johnson), um navegador que leva turistas pelos rios da Amazônia que servirá como guia nessa aventura mágica.

Uma aventura genérica com personagens genéricos, Jungle Cruise tem a cara de qualquer outro blockbuster da Disney, principalmente com uma tentativa de emular a atmosfera dos filmes de Piratas do Caribe. E dessa forma, comete muitos do mesmos erros, com bastante foco no visual e um conteúdo que deixa a desejar. Se fosse só isso, eu poderia até indicar o filme como um passatempo aceitável, uma vez que há momentos interessantes e a química entre Emily Blunt e Dwayne Johnson é divertida, porém, sendo brasileiro, não consigo engolir os inúmeros problemas desse filme. Praticamente 90% na ação de Jungle Cruise se passa na Amazônia brasileira, mas a representação da região na obra varia de irrealista a desrespeitosa. Os clássicos problemas estão lá, como pessoas falando espanhol em Porto Velho, o que dá para passar batido e colocar a desculpa de que são estrangeiros numa cidade próxima à Bolívia, mas todo o resto é demais. Desde as perigosas corredeiras até a forma com a qual os indígenas são retratados, é tudo muito ruim e absurdo, com vários momentos em que os europeus salvam os indígenas ou os ensinam a lidar com a floresta.

A parte fantástica é simplista também, e não traz a empolgação de outras aventuras na selva, como Indiana Jones (também problemáticas, por sinal). Visualmente, mesmo com alguns aspectos exuberantes, o excesso de efeitos especiais e CGI deixa tudo muito artificial e desinteressante. E por fim, sim, muitos irão afirmar que esse é o primeiro grande filme dos estúdios Disney com um personagem explicitamente gay, e isso quase acontece, de fato. Mas no fim das contas, a conhecida covardia do estúdio prevaleceu e, mesmo com fortes indícios, as palavras importantes são omitidas e fica tudo subentendido, como já era de se esperar. Uma pena que um filme com tantos recursos e um elenco tão talentoso tenha se rendido ao conservadorismo que assombra a Disney desde sua fundação e é apenas mais uma metáfora da destruição e da exploração de recursos da Amazônia por estrangeiros, mas sem fazer nenhuma crítica a isso, pelo contrário, romantizando esse histórico terrível.

Nota 2.

No momento, Jungle Cruise está disponível para streaming na Disney Plus e em cartaz nos cinemas.


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