VENTO SECO – 2020

Um filme brasileiro dirigido por Daniel Nolasco, Vento Seco (que em inglês leva o título de Dry Wind) é um drama erótico que se passa no interior de Goiás durante a sufocante estação seca. Ele acompanha alguns meses da vida de Sandro (vivido por Leandro Faria Lelo), um homem que trabalha numa loja de fertilizantes e tem um relacionamento secreto com Ricardo (interpretado por Allan Jacinto Santana). Em meio ao trabalho, às festas locais e ao futebol com amigos, Sandro leva uma vida no piloto automático. Ele tem sonhos misteriosos nos quais exercita suas fantasias sexuais com outros homens, mas a vida real é mais monótona e bastante restrita devido ao seu medo de revelar sua orientação sexual para os amigos e conhecidos. Mas tudo isso é chacoalhado com a chegada do misterioso Maicon (vivido por Rafael Teóphilo), um homem que vai chamar a atenção de Sandro e fazer com que ele desperte sentimentos adormecidos.

Visualmente, Vento Seco é um dos filmes nacionais mais bonitos que foram lançados nos últimos anos. O uso de cores intensas e de um neon reluzente traz um efeito moderno que contrasta de forma inquietante com o cenário do filme, e pequena e seca cidade de Catalão, no sudeste de Goiás. A edição, na maior parte do tempo, também é bem feita e os efeitos visuais ajudam no desenvolvimento da narrativa, além da fotografia, que merece destaque ao utilizar a natureza local de forma bastante eficiente. Quando mergulhamos na história em si, Vento Seco começa muito bem e consegue nos engajar no universo do protagonista, um homem mais velho que trabalha numa fábrica de fertilizantes. Gay, Sandro demonstra claramente desconforto em revelar sua sexualidade para as pessoas mais próximas, incluindo a sua melhor amiga, que é uma mulher trans (maravilhosamente interpretada pela atriz trans Renata Carvalho). O filme tem a oportunidade de abordar uma possível evolução da forma com a qual Sandro se enxerga no mundo e lida com a sua homossexualidade, e poderia muito bem fazer dele um personagem mais interessante, mas não. A história opta por focar nos fetiches que o protagonista alimenta, o que seria tranquilo, caso Sandro não fosse uma pessoa horrível capaz de passar por cima de tudo e de todos para realizar um desejo sexual. E é aí que o filme se perde e se torna vazio, infelizmente, com muito visual (incluindo cenas de sexo explícito) e pouca substância. É um universo no qual as personagens trans têm um destaque mínimo, no qual o foco gira em torno de homens heteronormativos com os famosos corpos padrões e no qual o protagonista está parado no tempo.

Nota 5!

Neste mês de junho, Vento Seco está disponível em diversos festivais LGBTQ+ realizados online, como o 6º Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás, que vai até de 9 de junho, mas ainda não chegou às plataformas tradicionais de streaming ou aluguel.


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