A VOZ SUPREMA DO BLUES – 2020

Um dos filmes mais comentados dos últimos meses, A Voz Suprema do Blues (Ma Rainey’s Block Bottom no original em inglês) é um filme baseado numa peça de 1982. Dirigido por George C. Wolfe, que tem mais experiência como diretor de teatro, o filme marca a última atuação do incrível Chadwick Boseman antes do seu falecimento nesse ano. No filme temos dois personagens principais: Ma Rainey, a lendária cantora de blues do início do século XX nos Estados Unidos, interpretada de forma excelente pela ótima Viola Davis; e Levee, um trompetista da banda de Ma Rainey que tem o sonho de criar suas próprias músicas e ter a sua própria banda. Num dia dentro do estúdio de gravação, Ma Rainey, Levee, seus colegas de banda e da gravadora terão que resolver vários conflitos e superar traumas e obstáculos enquanto gravam os maiores sucessos da época. Embora Ma Rainey seja uma cantora que realmente tenha existido, o enredo do filme é puramente ficcional, assim como todos os demais personagens da história.

Curiosamente, a peça A Voz Suprema do Blues tem a autoria do mesmo escritor da peça Fences, que também virou filme e teve Viola Davis como uma das atrizes principais (e lhe deu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), e ambos os filmes sofrem do mesmo problema: a difícil adaptação do teatro para o cinema. Em A Voz Suprema do Blues temos diversas falhas de edição e péssimas transições entre as cenas que mostram um diretor pouco familiar com as técnicas do cinema. Ao mesmo tempo, o roteiro em si flutua entre momentos dramáticos e outros mais leves, o que exige um cuidado redobrado na troca de uma cena para outra. Esse cuidado não existe no filme, infelizmente, e o torna engessado. Ao mesmo tempo, as atuações de Davis e Boseman são incrivelmente fortes e fascinantes, o que deixa a obra mais satisfatória como um todo, mesmo que as personagens sejam pouco desenvolvidas – principalmente Ma Rainey. Terminamos o filme sabendo muito pouco sobre a “mãe do Blues” e menos ainda sobre seu relacionamento com Dussie Mae, a única outra mulher do filme.

Nota 5!

Mesmo com todos os seus problemas, A Voz Suprema do Blues é ainda um filme que vale muito a pena por ter dois protagonistas fenomenais e tratar de questões raciais importantes até hoje. O filme está disponível na Netflix.


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