ERA UMA VEZ UM SONHO – 2020

O muito esperado Era Uma Vez Um Sonho (Hillbilly Elegy no original em inglês) finalmente estreou na Netflix. Dirigido pelo veterano Ron Howard e baseado num livro do mesmo nome escrito por J.D. Vance, o filme relata as memórias da vida do próprio J.D., dando saltos no tempo para ilustrar os momentos mais impactantes da sua vida até 2011. Embora a história seja contada da perspetiva de J.D., as personagens mais relevantes da trama são sua mãe Bev, e sua avó, Mamaw, maravilhosamente vividas por Amy Adams e Glenn Close respectivamente. As três gerações da família típica dos Apalaches americanos são atormentadas por abuso doméstico e vício em drogas, que deixam marcas profundas nas suas relações.

Por mais que eu tente esquecer do fato de que J.D. Vance seja um republicano conservador que prega tudo o que eu mais detesto, o filme retem muito da sua lógica deturpada, claro, por ser a história da vida desse homem contada por ele mesmo. A necessidade do amor por uma pátria que não provê condições para uma vida digna é o que carrega a narrativa de Era Uma Vez Um Sonho (e a lógica pela qual J.D. Vance vive – tanto o personagem, quanto o autor do livro) e é algo que eu nunca vou entender. Outro grande problema é a lição que o filme tenta passar, de que você “escolhe quem vai se tornar”… sério? Será que tanta gente escolhe ser violenta, depressiva, viciado em drogas, etc? Eu tenho certeza que não. E qualquer narrativa que insista em argumentar que a vida é apenas uma consequência de escolhas, é uma narrativa burra. Por isso, assistir a esse filme que retrata uma América desigual, depressiva e afundada nas drogas e saber que o homem que faz esses relatos é um republicano orgulhoso é realmente triste.

Mas vamos voltar a outros aspectos gerais do filme! E saindo da perspectiva do protagonista “perfeito”, insosso e sem carisma, que é de longe a pior coisa de Era Uma Vez Um Sonho, temos histórias, personagens e interpretações mais cativantes. Além das personagens de Amy Adams e Glenn Close serem mais complexas e interessantes, são, sem dúvidas, as melhores interpretações, seguidas de perto por Haley Bennett, no papel de Lindsay, irmã de J.D. que deveria ter tido mais espaço no filme. Por incrível que pareça, todo e qualquer personagem desse filme é mais envolvente que o protagonista. O problema: elas não são bem construídas, o começo e o fim das suas histórias são séries de montagens que tentam explicar passado e presente, mas sem muito sucesso. Claro que é possível se emocionar ainda assim, mas não houve o mínimo esforço para desenvolver aquelas que são as melhores personagens da história. E muito dessa culpa também está na opção de mostrar o filme fora de ordem cronológica, algo que mais atrapalha do que ajuda.

Nota 5!

Alguns pontos positivos do filme, além de atuações: a fotografia é bem feita e o trabalho de maquiagem é incrível – Adams e Close ficaram iguais suas versões da vida real! Por fim, para quem quiser tentar entender como funciona a cabeça de um republicano cujas políticas não fazem muito sentido, Era Uma Vez Um Sonho é uma análise interessante e um retrato de uma América que precisa de menos pessoas como J. D. Vance. O filme está disponível na Netflix.


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