Con certeza um dos filmes mais especiais da temporada 2019-2020, Saint Frances é um filme inteligente, relevante e honesto no que diz respeito ao relacionamento das mulheres com seus corpos e com a maternidade. O filme é dirigido por Alex Thompson, que faz um bom trabalho, mas o destaque está para a incrível Kelly O'Sullivan, que assina o roteiro e ainda protagoniza a trama no papel de Brigit, uma mulher de trinta e quatro que, no começo de um verão, começa a trabalhar como babá, cuidando de uma garotinha de seis anos chamada Frances. Ao mesmo tempo em que consegue esse emprego, Brigit engravida e opta por realizar um aborto. Durante todo o verão, ela continua navegando por situações que a fazem pensar no seu momento de vida, nas suas escolhas e no mundo em que vivemos enquanto toma conta da pequena Frances.

O filme é tão bem feito e tem uma narrativa tão realista e crucial para os dias de hoje que os pequenos problemas que ele apresenta passam a ter nenhuma importância. Mesmo que eu me incomode com filmes que tenham crianças superinteligentes, eu consigo fechar os olhos para o caso de Saint Frances. A história é bonita e bem desenvolvida, principalmente quando chega ao terceiro e último ato. Eu, que tenho trinta e poucos anos, assim como Brigit, e também vivo minhas dúvidas e revejo minhas escolhas de vida, não pude deixar de me identificar com o momento vivido pela protagonista. São sentimentos difíceis de lidar e que muitas vezes preferimos ignorar, mas que Saint Frances trata com maturidade e perfeição. Além de, é claro, abordar toda a pressão que as mulheres recebem da sociedade para serem mães e constituírem família.

Nota 10!

Saint Frances ainda não chegou às plataformas de streaming ou de aluguel de filmes do Brasil, embora seja encontrado em sites de compartilhamento.


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