NEM MENINO, NEM MENINA – 2020

Esse maravilhoso documentário australiano é uma pérola que eu encontrei na GloboPlay enquanto pesquisava por obras LGBTQIA+. Ele na verdade é um episódio do programa de televisão australiano Four Corners, um programa de jornalismo investigativo que existe desde a década de 1960. Por algum motivo incrível, esse episódio parece ter sido vendido para a GNT e agora está disponível para streaming no serviço online da Globo. Nem Menino, Nem Menina (que originalmente no inglês recebe o nome de Not a Boy, Not a Girl), é uma obra de apenas 45 minutos que explora as experiências de diversas pessoas gênero-diversas e não-binárias na Australia. Através de entrevistas com pessoas que se identificam dessa forma, com seus familiares e com especialistas da área, o programa analisa as complexidades da identidade de gênero e de como as pessoas que se identificam como gênero-diversas ou não-binárias enfrentam numerosos obstáculos num mundo que ainda entende gênero apenas como um binário masculino-feminino. E esses obstáculos, que geralmente já surgem na infância, vão desde encontrar a linguagem correta com a qual se sentem mais confortáveis até lidar com dificuldades físicas, como a disforia de gênero.

Nem Menino, Nem Menina é dirigido e produzido por Janine Cohen e narra as experiências de quatro jovens gênero-diversos e não-binários: Olivia, que tem apenas onze anos de idade, mas que já se reconhece como alguém fora do espectro binário de masculino-feminino e que, com o acompanhamento dos pais e auxílio de profissionais, tomas inibidores de hormônios para atrasar a chegada da puberdade; Audrey, que aos 14 anos já tem uma ideia bastante clara que como a sua identidade de gênero é distinta do restante das pessoas a sua volta, inclusive dando palestras sobre o assunto e sendo responsável pelo clube LGBTQ da sua escola; Riley, que trabalha com teatro, um ambiente mais receptivo, mas que mesmo assim teve dificuldades em se adequar à sua identidade não-binária; e Dakota, que também é da área do teatro e que comenta sobre as dificuldades em se encaixar, além da depressão que vem junto com o bullying sofrido por várias pessoas não-binárias nas escolas e grupos de amigos. Dakota explica como é importante ter pessoas que lhes entendam por perto, principalmente outras pessoas não-binárias que lhes ajudem a se entender. O documentário, mesmo num curto tempo, consegue nos mostrar como o universo de pessoas não-binárias é extremamente diverso e casa experiência é realmente única, além de mostrar como a sociedade ainda tem muito o que aprender sobre essas pessoas. Ele foca um pouco excessivamente nos pais de algumas das pessoas, como o caso dos pais de Olivia, que é interessante para exemplificar como o processo de descoberta não-binária precisa da compreensão de todos em volta, mesmo que seja bastante difícil para as pessoas binárias, embora, obviamente, elas não sejam o foco da história.

Nota 9!

Corre para a GloboPlay e assista esse ótimo documentário super informativo e nos ajuda a entender tantas pessoas que seguem incompreendidas pelas sociedades atuais aos redor do mundo!


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