Curtas do Oscar: Ala Kachuu – Take and Run

A origem do cinema se deu com os curtas. A convenção atual de que um film deve ter em torno de uma hora e meia ou duas horas de duração levou bastante tempo para se solidificar, com a produção de longas-metragens de popularizando apenas nas décadas de 1920 e 1930, principalmente nos Estados Unidos. Mas esse não foi o fim dos curtas-metragens, eles continuaram sendo uma opção mais barata de se produzir para cineastas iniciantes e uma ótima opções de entretenimento para quem tem menos tempo disponível, mas ainda assim quer conhecer uma boa história. Esse ano decidi fazer as críticas dos curtas indicados ao Oscar por dois motivos: primeiro, porque curtas podem ser tão incríveis quanto longas e são uma ótima oportunidade de se conhecer novos talentos; e segundo, porque a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA que organiza o Oscar tomou a triste decisão de fazer as entregas dos prêmios de Melhor Curta Live Action, Melhor Curta de Animação e Melhor Documentário em Curta-Metragem antes da cerimônia ao vivo, gravando os discursos e incluindo-os na transmissão ao vivo posteriormente, o que mostra um enorme descaso com esse formato de cinema tão antigo e precioso. O que é uma pena, uma vez que o Oscar é uma das poucas premiações de grande alcance que também premia filmes de curta-metragem.

Hoje vamos falar do curta live-action Ala Kachuu – Take and Run (ainda sem título no Brasil), dirigido e escrito pela cineasta suíça nascida na Alemanha Maria Brendle. O filme é um drama que se passa no Quirguistão e aborda a tradição de casamentos forçados que ainda existe no país onde as noivas são sequestradas e obrigadas a casar com homens que muitas vezes elas nem mesmo conhecem – o nome desse ato dá título ao filme, que na versão em inglês recebe um subtítulo que o traduz. O curta acompanha a história de Sezim, vivida por uma fantástica Alina Turdumamatova, uma jovem que sai da casa da família no interior do país na tentativa de encontrar um emprego e estudar na cidade. Mas seus sonhos são interrompidos quando um grupo de homens invade a padaria que ela trabalha e a sequestra. A jovem é então obrigada a casar com um homem que nunca viu antes e vai ter que buscar forças para se livrar dessa situação. Embora a questão relevante levantada pela história deste curta seja incrivelmente pertinente, as escolhas criativas na história pareceram muito simplistas e apressadas. Alguns subenredos menores poderiam ter sido excluídos – a maioria dos quais permanece em aberto no final – para se concentrar na trama principal. Contudo, os atores são ótimos e o elenco é sem dúvidas o maior destaque do curto, principalmente a protagonista Alina Turdumamatova.

Nota 6.

No momento da publicação deste artigo, Ala Kachuu – Take and Run ainda não está disponível nas plataformas oficiais de streaming ou de aluguel do Brasil. Se você se interessou pelo filme e quer conhecer mais sobre ele, incluindo outras opiniões, abaixo você encontra o link para o Letterboxd, uma rede social de pessoas que comentam todas as obras do mundo do cinema. Além disso, já que os filmes estão sempre mudando de streaming, você pode visitar o JustWatch, uma ferramenta que mostra a disponibilidade de filmes e séries em todas as plataformas de diversos países, para conferir de forma atualizada onde assisti-los! 🎥


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