Hokum, lançado no Brasil como Hokum: O Pesadelo da Bruxa, é um filme de terror sobrenatural escrito e dirigido por Damian McCarthy, responsável também por Caveat e Oddity. A produção é protagonizada por Adam Scott, acompanhado por Florence Ordesh, David Wilmot, Peter Coonan, Will O’Connell e Michael Patric.

Pôster do filme Hokum, de 2026, com Adam Scott segurando uma lanterna

A história acompanha Ohm Bauman, um escritor norte-americano que viaja para uma pousada isolada na Irlanda com o objetivo de espalhar as cinzas de seus pais. O local possui um significado especial para a família, pois foi onde eles passaram a lua de mel. Entretanto, a viagem acaba aproximando Ohm de antigas histórias sobre uma bruxa que supostamente assombra a suíte de lua de mel do estabelecimento.

Apesar de ter sido muito elogiado pela crítica e também por grande parte do público, preciso admitir que Hokum não me convenceu. O filme não sabe vender sua história, que se torna muito mais bizarra do que precisava ser e entra constantemente em detalhes estranhos que nem sempre parecem críveis dentro da própria narrativa.

Esse é um problema que já apareceu anteriormente no trabalho de Damian McCarthy. Caveat, um de seus primeiros longas-metragens, sofre de uma dificuldade semelhante: escolhe caminhos sinuosos e desnecessários para contar uma história que poderia ser muito mais simples e direta. Em Hokum, a sucessão de elementos excêntricos, reviravoltas e explicações incompletas enfraquece progressivamente o mistério.

O maior problema está na construção do protagonista. Ohm é apresentado como uma pessoa extremamente hostil, tratando com desprezo praticamente todos ao seu redor. A princípio, não sabemos exatamente por que ele age dessa maneira. Ainda no primeiro ato, o personagem tenta tirar a própria vida, em um acontecimento inesperado que o filme também não consegue desenvolver adequadamente.

É possível interpretar que sua hostilidade represente a tristeza e a depressão que o levaram a esse ato. Ainda assim, esses elementos não parecem verdadeiramente conectados pelo roteiro. O resultado é um personagem caricato, pelo qual se torna muito difícil sentir qualquer tipo de carinho ou empatia.

Na verdade, depois de observar a maneira como Ohm trata os empregados da pousada, cheguei a desejar que sua história terminasse mal. Isso prejudica bastante o envolvimento com a jornada do personagem, que deveria despertar alguma preocupação enquanto ele tenta se conectar com a memória dos pais falecidos e compreender os acontecimentos sobrenaturais ao seu redor.

O filme ainda apresenta diversas reviravoltas envolvendo não apenas Ohm, mas também os personagens secundários. Muitos deles parecem igualmente caricatos e bizarros, sem uma função suficientemente clara dentro da narrativa. Conforme essas tramas se acumulam, Hokum fica cada vez menos convincente e transforma sua estranheza em confusão.

O que merece elogios é a construção do terror. A música ambiente ajuda a criar uma atmosfera inquietante, enquanto algumas escolhas visuais aproveitam muito bem o isolamento da pousada, seus corredores e a paisagem irlandesa. Damian McCarthy sabe construir imagens perturbadoras e demonstra segurança ao criar tensão, mesmo quando o roteiro não oferece uma base igualmente eficiente.

Adam Scott também se entrega ao papel, conseguindo transmitir a amargura e a instabilidade de Ohm. O problema é que seu desempenho está a serviço de um protagonista pouco desenvolvido, cercado por uma história excessivamente complicada.

No fim, Hokum parece uma oportunidade perdida. O filme possui bons atores, uma atmosfera promissora e qualidades visuais evidentes, mas quase tudo fica pelo caminho por causa de uma narrativa confusa, personagens pouco convincentes e escolhas que tornam a história mais complicada do que precisava ser.

Nota 4.

Hokum: O Pesadelo da Bruxa está disponível no Brasil pelo Amazon Prime Video.


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