Tenho uma relação de muito carinho com o cinema do Sean Baker. Desde que assisti Tangerine (aquele filmado com iPhones, lembram?), fiquei fascinado pela forma como ele olha para quem vive às margens. Então, quando soube que Anora tinha levado a Palma de Ouro em Cannes, criei aquela expectativa gigante. Mas, como acontece em muitas relações, às vezes o encontro não é exatamente aquele fogo todo que a gente imaginava.

Anora chegou aos cinemas causando barulho em 2024. O filme é escrito e dirigido pelo aclamado Sean Baker (Projeto Flórida, Red Rocket) e traz como grande estrela Mikey Madison (que você talvez lembre gritando em Pânico ou Era Uma Vez em… Hollywood), além de Mark Eydelshteyn e Yura Borisov.
A história acompanha Anora (ou Ani, como prefere ser chamada), uma jovem stripper e trabalhadora sexual do Brooklyn que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando conhece Ivan, o filho impulsivo de um oligarca russo. O que começa como um serviço pago vira um romance turbulento, culminando num casamento relâmpago em Las Vegas. Parece o clássico conto de fadas da Cinderela moderna, certo? Só que a carruagem vira abóbora bem rápido quando os pais do garoto descobrem e mandam seus capangas para “resolver” a situação.
Mas será que toda essa confusão, gritaria e neon conseguem entregar aquele soco no estômago emocional que a gente se acostumou a esperar dos filmes do Baker?
Na verdade, Anora é um filme sobre transações. E não estou falando só de dinheiro. É sobre como as relações — sejam elas de amor, poder ou família — muitas vezes são reduzidas a trocas de interesses. Baker constrói uma farsa caótica, quase uma comédia de erros, onde Ani tenta desesperadamente manter o “sonho” vivo enquanto é literalmente carregada de um lado para o outro por homens que acham que podem comprar (ou anular) qualquer coisa. É um filme barulhento, frenético e que tenta mostrar que, nesse mundo, até a fantasia tem preço de tabela.
O filme tem seus méritos, sem dúvida. Ele mostra a complexidade da Ani de forma interessante: ela não é só uma vítima, é uma lutadora, alguém que usa o que tem para tentar subir na vida. A atuação da Mikey Madison é realmente boa.
Mas… (e aqui vem o meu “mas” sincero), eu senti falta de alma. Certamente não está entre as obras que mais gosto do diretor. Se a gente comparar com Tangerine ou o maravilhoso Projeto Flórida, Anora parece ficar na superfície. Aqueles filmes eram mais profundos, tinham um conteúdo social que doía na gente, mostravam uma marginalidade com um afeto que aqui parece meio diluído na gritaria. Também não acho que está entre os melhores de 2024 (teve coisa muito mais marcante, né gente?). Ele oferece uma história coesa, tem começo, meio e fim, te entretém… mas não é aquele filme que você termina e fica encarando a parede pensando na vida. É bom, mas não é memorável.
Nota 6.
Para quem quiser tirar as próprias conclusões (e depois me contar se concorda!), Anora já está disponível para aluguel e compra nas plataformas digitais como Apple TV e para streaming no Prime Video aqui no Brasil.🎥
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