MANK – 2020

O novo filme original da Netflix é uma ambicioso projeto do diretor David Fincher de dar continuidade e desenvolver uma obra baseada no roteiro escrito por seu pai, Jack Fincher, ainda nos anos 90. Mank narra uma fase da vida do famoso roteirista Herman J. Mankiewicz, que escreveu o roteiro do aclamado filme Cidadão Kane (Citizen Kane), por muitos considerado o maior filme já produzido. O foco de Mank está relação do roteirista, interpretado por um ótimo Gary Oldman, com a atriz Marion Davis (vivida por uma excepcional Amanda Seyfried), com o parceiro dela, William Randolph Hearst (interpretado por Charles Dance) e com o cineasta Orson Welles (um excelente Tom Burke), que é para quem Mank escreve o roteiro de Cidadão Kane. Além disso, o filme navega as complexas relações entre a arte do cinema, os grandes estúdios e a política da década de 1940.

Além de ótimas atuações, Mank é um filme lindamente editado e filmado em preto e branco, com um belíssimo design de produção que nos transporta facilmente para a época de ouro de Hollywood. Dito isso, o filme como um todo me parece ter mais erros do que acertos. Primeiramente, é importante dizer que para obter uma boa experiência ao assistir Mank, você precisa já ter algum conhecimento prévio sobre a época e as pessoas que são representadas nesse filme. Fincher dirige um filme de duas horas e dez minutos em que muita coisa acontece envolvendo muitos personagens e instituições diferentes, então é muito fácil se perder. Ao mesmo tempo, sem conhecer previamente a história das pessoas retratadas no filme, me parece difícil criar uma conexão com as personagens (talvez com a exceção de Marion), uma vez que o roteiro é bastante intrincado e conturbado, não sobrando tempo para se aprofundar nas nas mentes das personagens.

Como sempre faço ao assistir um biografia, investiguei brevemente quem foi o real Herman Mankiewicz, para entender se o filme faz jus a sua personalidade. Duas coisas me chamaram a atenção negativamente: a primeira é que nos anos 40, quando se passa a maior parte do filme, Mank tinha por volta de 41-42 anos de idade, enquanto Gary Oldman tem seus 62 anos, uma diferença e tanto, mas que não me incomoda muito; o segundo ponto é que o filme aborda vários aspectos da política da época e decide retratar Mank como uma pessoa de centro, mas com tendências socialistas, coisa que ele nunca foi na vida real (como explica essa reportagem da Vanity Fair). E essa tentativa de recontar a história retratando mais favoravelmente uma pessoa que realmente existiu me incomoda bastante!

Nota 4!

Mank está disponível para streaming na Netflix.


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